Chave ao Mar

Postado em comportamento, paranormalidade, relato pessoal, telepatia com as tags , , , em fevereiro 3, 2010 por Luciano Pillar

As vezes nos acontece o extremamente improvável. Vou relatar um destes acontecimentos cujo protagonista é alguém bem conhecido meu: eu mesmo.

Uma vez eu estava numa praia do estado de Santa Catarina com alguns amigos. Faz tempo isso, tanto que até esqueci qual era exatamente a praia. Lembro apenas que era uma destas sem ondas, possivelmente alguma ao norte da ilha de Santa Catarina. E lembro claramente que fomos até a praia no meu carro.

Após um bom banho de mar, saí e fiquei com os meus amigos. Ficamos um bom tempo juntos até surgir a necessidade de ir até o carro. Nesse momento, descobri que a chave do carro não estava mais comigo. Após um exercício de memória, ficou claro para mim, sem a menor sombra de dúvida, que eu tinha guardado a chave no bolso de minha bermuda que, infelizmente, não era fechado de nenhuma maneira. Imediatamente entendi que eu tinha perdido a chave dentro do mar.

A chave poderia ter caído noutro momento ou lugar, mas, antes mesmo que meu pensamento consciente tivesse tempo de fazer qualquer de suas conjecturas, eu já sabia que tinha sido no mar. Como pode ser isso? Que tipo de certeza é esta que temos antes do pensar?

A situação era a seguinte: o carro estava trancado e estávamos longe de casa. Poderíamos até arrombar a porta, mas, ainda assim, teríamos que ligar o carro. Seria interessante aprendermos a fazer ligação direta sem chave, pois rapidamente descobri que esta era uma técnica desconhecida de todos. A primeira coisa que aconteceu foi a lamentação de todos e a culpa que caiu sobre mim. A segunda é que todos passaram a buscar alternativas de retorno à casa. Ninguém pensou em encontrar a chave. Por que num evento qualquer as pessoas assumem que a realidade deve necessariamente atender a seus conhecimentos sobre fatos anteriores semelhantes? Concordo que exista uma maior probabilidade de que cada fato leve às mesmas consequências que fatos semelhantes já ocorridos antes, mas, por outro lado, assumir isso como verdade tão rapidamente sem olhar e nem sentir o momento presente (que sempre é único) não seria também uma grande limitação?

Novamente, antes de pensar, não me dei por vencido. Olhei para o mar e decidi buscar a chave e, tão logo esta decisão fora tomada, eu já caminhava para dentro do mar. Perguntaram-me onde eu ia e a resposta imediata foi: “Vou buscar a chave. Já volto”. Imagine só o que não devem ter pensado. Provavelmente o mesmo que você estaria pensando na ocasião ou mesmo agora.

Entrei no mar em linha reta, com passos ininterruptos e seguros até que parei. Parei quando comecei a pensar como um adulto racional: “Mas, o que estou fazendo? Devo estar maluco. Como vou achar uma chave num mar onde nem visibilidade tenho para ver meus pés? Devo mergulhar? E de que isso me ajudaria? Faz tempo que perdi esta chave aqui e, agora, já deve estar soterrada. E quem me garante que foi no mar que a perdi?”. É curioso como funciona o pensamento racional. Perguntas, conclusões, respostas assumidas, mais perguntas, mais conclusões e decisões vão se encadeando indefinidamente até surgir uma decisão final. Este tipo de pensamento é uma excelente e poderosa ferramenta, mas tende a nos dominar e a nos cegar ao momento presente.

Mas, voltemos a cena daquele momento. Entrei no mar em linha reta, com passos ininterruptos e seguros até que parei. Parei quando comecei a pensar como um adulto racional e, enquanto pensava, senti algo sob meu pé direito. Torci meus dedos para baixo de forma a agarrar o objeto e levantei-o para fora do mar. Era a chave.

Saí do mar menos de cinco minutos depois de ter entrado e já fui avisando a todos: “Está aqui a chave pessoal. Desculpem-me pela demora“. Ninguém acreditou, mas a descrença durou pouco, pois apresentei-lhes a chave. É incrível como formamos crenças na ausência de fatos. Alguns chegaram a duvidar que eu realmente havia perdido a chave. Acharam que eu tinha inventado toda esta história com o intuito de assustá-los. Mas, como me conheciam, descartaram esta possibilidade. Eles sabiam que eu não sou dado a estas brincadeiras.

Notei que as pessoas ficaram muito espantadas e que depois, muito rapidamente, esqueceram o ocorrido. Podemos concluir ser comum reagirmos  simplesmente com o esquecimento às coisas incomuns que presenciamos? Nada como apagar da memória aqueles fatos que não se encaixam em nosso modelo de realidade. A mente racional já tem uma descrição da realidade que nos é imposta e que não deve ser questionada. Infelizmente, isso diminui ou nos tira a capacidade de ver o presente real e de aprender com ele.

Uma pergunta que ficou para mim é como eu encontrei a chave. Como pode ser que eu tenha caminhado de uma única vez diretamente para onde ela estava? Como parei exatamente com o pé sobre ela? Pode ter sido uma mera coincidência, é claro, mas isso me parece improvável. E mais improvável ainda quando lembro da segurança que senti ao caminhar até ela. Temos alguma outra visão? Ou alguma forma de usar da visão de outros de uma forma telepática? E por que não conseguimos usar corriqueira e conscientemente tal visão? Será por que simplesmente não cremos e estamos ocupados demais com nossos pensamentos prontos e encadeados?

Seja como for, fatos são fatos. E este foi um fato do qual não ouvi falar e nem li em nenhum lugar. Ele aconteceu comigo. Para você ainda sobra uma saída fácil, caso ele, de alguma fora, entre em desacordo com sua descrição da realidade: eu posso ser um mentiroso. Para mim não há essa saída.

Feliz 2510

Postado em amor, comportamento, espiritualidade, evolução, família, iluminação, sentimento, sociedade, sonho com as tags , , , , , , , , em janeiro 8, 2010 por Luciano Pillar

Quando acordei no primeiro dia de 2010, ainda na cama me transportei para o início de 2510. Onde termina a realidade e começa a imaginação? – poderiam muitos me perguntar. Ora, nem sempre este é um limite claro. – poderia eu responder.

Levantei-me, respirei o ar de outra era e, imediatamente, senti-me diferente. Fui invadido por um bem-estar e uma alegria incomuns. Senti-me leve, em paz e com uma profunda impressão de não estar só. De repente, com muita clareza lembrei de algo já esquecido devido ao embriagamento do cotidiano: eu estava solitário naquele longínquo passado de 2009. Como poderia ser que no último réveillon, ocorrido há 500 anos, com tanta música, gente, bombas, barulho, brindes, dança, comida e bebidas  não tenha impedido a sensação de solidão que, só agora, parece ter-se acabado? Como poderia eu ter uma vida social e, mesmo assim, não sentir-me tão profundamente acompanhado por outros como agora, mesmo sem eu estar, de fato, junto a alguém logo ao me acordar neste alvorecer de 2510?

Saí para a rua e vi belas casas bem espaçadas entre si. Belas, simples e de arquitetura leve, estavam perfeitamente integradas a uma natureza saudável que as circundava. Um belo bosque unia a todas elas, não haviam ruas e nem cercas. Maravilhado com o lugar senti alguém se aproximar. Era uma bela mulher. Veio a mim e me deu um terno abraço. “Feliz Ano Novo” – desejou-me. Depois dela apareceram crianças e outros adultos. Todos me abraçaram e todos fizeram-se muito próximos. Como é bom sentir-se junto aos outros. Por que estranhei tanto?

“Você veio de um mundo de pessoas solitárias por viverem bastante desconectadas de tudo que as cercava. Viviam isoladas e presas dentro de si. Muito egocêntrigas, levavam as vidas que podiam na sua situação” – explicou-me a mulher de uma forma que percebi ser verdadeira.

Amigos do início do século XXI, saibam que a humanidade de 2510 apresentou-se a mim da forma como descreverei. As pessoas são mais unidas. Possuem sentidos mais apurados que unem os sentimentos de uns aos de outros de forma mais perceptível que hoje. Já somos assim, mas vivemos cegos pelos erros das crenças e o consequente atrofiamento dos nossos sentidos a que chamamos, erroneamente, de extra-sensoriais. O resultado é a solidão e a infelicidade. Em 2510 aprendi que, se alguém não está bem, todos sentem as consequências negativas em suas próprias vidas. Como somos unidos, só podemos ser felizes se todos estivermos bem. Em 2010, os cegos e imaturos normalmente julgam-se bem se possuem coisas adquiríveis com dinheiro, mas são eternos infelizes por viverem num mundo onde muitos sofrem em demasia. Em 2510 você não consegue não existir para os outros. Todos lhe mostram como você é importante para eles. Na minha própria experiência, caminhava por aqueles gramados amando a todos os que via.

Em 2510 é difícil alguém trabalhar mais do que quatro horas num dia. Tudo é feito por máquinas avançadíssimas e as pessoas mais criam e inventam do que fazem trabalhos braçais. O trabalho é um prazer e uma realização. Ninguém mais o vê como algo tedioso e nem sonha com a chagada do final de semana. Além disso, não existe remuneração financeira pelo trabalho. Nem dinheiro existe. As pessoas têm direito às coisas simplesmente por que existem. As coisas servem para seus fins e não mais para podermos mostrar uns aos outros nossa posição social. Tão pouco existe a posse de coisas. Lembro que meus novos amigos quiseram me mostrar a paisagem de onde viviam. Para isso, um deles tirou de seu bolso uma pequena caixa luminosa, falou com ela e, poucos instantes depois, um silencioso veículo desceu do céu diante de nós. Nunca vi tanto conforto, silêncio e velocidade para andar na terra ou no ar. Aquilo nos levou voando para cima de uma montanha, nos deixou lá e foi embora. E assim é em 2510, existem recursos, mas não posses. O veículo não era de meus anfitriões, mas de todos (ou de ninguém). Em 2510 todos possuem tudo. Uma pessoa rica de 2010 seria considerada destituída de recursos materiais e repleta de problemas oriundos da manutenção de suas posses perto de qualquer um de 2510.

Juntos, vivem em um mundo onde todos produzem para todos. Um mundo onde todos acompanham a todos e a solidão, finalmente, os deixou. Não há trancas, muros e alarmes. Ninguém sente medo dos outros. As crianças andam soltas e todos sentem-se tranquilos e confiantes de que se tiverem alguma necessidade, elas serão amavelmente supridas por qualquer adulto que esteja nas proximidades. As doenças diminuíram muito e poucos vivem menos de duzentos anos. A população do mundo diminuiu drasticamente depois da catástrofe de 2037 e da grande peste de 2200. O mundo é limpo, cheio de recursos tecnológicos e as pessoas estão um passo adiante na sua evolução. Devido a essa diferença evolutiva, meus amigos do futuro não puderam me mostrar como eles realmente sentem a tudo, pois eu não tenho a maturidade e nem o corpo adaptado à nova situação. Apesar disso, da forma como podia, eu estava experimentando a maior sensação de união e amor  para com todos de minha vida. Eu estava sentindo o que é viver sem medo algum de meus semelhantes.

Eles também não me apresentaram aos representantes de duas outras raças inteligentes de origem alienígena que viviam por aqui. Fiquei só imaginando como seria conhecer uma outra raça de criaturas inteligentes. Como será conversar com um ser que não é menos do que nós? E com um que é mais? Segundo meus amigos humanos de 2510, eles eram mais evoluídos do que nós, mas, por extrema compaixão, permitiam-se viver como iguais por aqui. Como nos sentiríamos vivendo entre orangotangos em 2010? Disseram-me apenas que eles vieram para nos orientar e para seguirem com sua própria evolução que, de uma forma ainda misteriosa a nós, envolvia este contato neste momento.

Um veículo nos apanhou na montanha e nos levou rapidamente para a Lua. Aterrissamos e descemos todos, com trajes especiais e leves, para caminhar um pouco. É incrível estar no espaço e em outro mundo. É incrível não ter muito peso e ver o sol e as estrelas simultaneamente no céu. Nunca vi tantas estrelas em minha vida. Disseram-me que este passeio era para eu ver o espaço e outro mundo, uma impossibilidade para os de nossa época, para eu ver a extensão do universo onde estamos e para saber que a Terra é um lugar especial que deve ser respeitado. Retornamos diretamente da Lua para a casa de meus anfitriões neste veículo que, sozinho, foi-se logo depois. Ficou só o bosque, o vento e o canto dos pássaros. Notei que, comparados a este veículo que usamos, nossas Ferraris, Limusines, Rolls-Royces ou as gigantes caminhonetes 4X4 não passam de barulhentas, lentas e fedorentas carroças. E pensar que em 2010 há quem se orgulhe e se ache importante por andar nisso.

Uma criança e um adulto de 140 anos vieram brincar comigo. Subimos numa árvore e, lá de cima, junto com passarinhos que simplesmente não se amedrontavam conosco e, inclusive, brincavam ao nosso redor, falaram-me:

- Agora você precisa voltar. Este não é, ainda, seu mundo. Até esse momento de sua existência você não se desenvolveu o suficiente para estar aqui. Mas saiba que, toda a essência da verdade e as sementes para a evolução estão em você, em todos de seu  mundo, em nós, em todas as outras criaturas e em tudo o que existe no universo.

- Mas, o que farei lá agora? – perguntei. Como poderei viver novamente naquele mundo selvagem habitado por cegos e solitários?

- Fará o mesmo que estivemos e estamos todos sempre fazendo. Você continuará vivendo e aprendendo. Use de sua visão e de sua experiência para falar aos outros. Use de seu amor para abrir os olhos de quem não vê, para tocar nas pessoas e para tirá-las da ilusão em que vivem.

A criança me deu a mão e voamos todos para baixo da árvore. É incrível como eu sempre soube que podíamos voar, mas tinha me esquecido.

em 2010 saí da casa de praia onde eu estava nesta passagem de ano. Saí e vi todas aquelas casinhas cercadas, todas aquelas pessoas presas em suas propriedades, todos aqueles minúsculos pátios que cabiam a cada família sendo ocupados, em grande parte, pelos seus carros que ficavam expostos à vista de todos. Saí e vi uma rua que não era para as pessoas, mas para barulhentos, lentos e fedorentos veículos. Vi poucas pessoas caminhando nesta rua e ninguém se cumprimentando com ternura e entusiasmo. Um mundo abarrotado de solitários estranhos. Vi alguns dormindo na rua devido ao extremo estado alcoólico resultante da passagem de ano.

Senti dor. Mas, agora, também senti compaixão e soube que queria aos outros de forma tão intensa como a mim, pois sei que todos são criaturas divinas e que todos somos um. Percebi que tenho muito a fazer de 2010 em diante e, por mais difícil que seja a tarefa da reunião dos solitários, a visão de nossa real essência me alimenta.

Feliz 2010 a todos.

E que os conselhos de  Gandhi, “Seja você a mudança que espera do mundo”, e de Jesus, “Amai-vos uns aos outros”, sejam verdades e ações em nossas vidas.

A Solução para as Mudanças Climáticas

Postado em antropologia, comportamento, crime, drogas, ecossistema, espiritualidade, evolução, história, negócios, sociedade, suicídio, violência com as tags , , , , , , , , , , em dezembro 20, 2009 por Luciano Pillar

Quais foram os resultados efetivos da 15ª Conferência para Mudanças Climáticas em Copenhage, Dinamarca? Pelo pouco que li sobre o assunto, parece que ficaram aquém do esperado. Isso não é bom. Eu esperava que várias resoluções práticas fossem definidas e assinadas por todos os países envolvidos para, depois, serem cumpridas parcialmente. Ou nem isso. Mas, pelo visto, não chegamos nem nas tais resoluções. Pelo menos estamos ficando menos hipócritas.

A COP15 (15th United Nations Climate Change Conferencehttp://en.cop15.dk/), que aconteceu entre os dias 7 e 18 de dezembro deste ano de 2009 foi uma iniciativa importantíssima. E ela nem é a única. Precisamos, ao menos, discutir e avaliar a situação catastrófica em que estamos nos metendo.

Infelizmente não iremos resolver nada em tempo hábil. O clima está mudando de forma perigosa para nós mesmos e continuará nesse rumo. Diversas catástrofes irão ser uma óbvia consequência. Teremos fome, doenças, secas, inundações, furacões e, lógico, mortes. Tudo acompanhado de muito sofrimento e sem excluir ninguém. Os ricos e poderosos irão sofrer muito. Perderão familiares. Muitos morrerão. Você sofrerá. Seus filhos que aqui ficarão viverão, junto com você, tempos muito difíceis. Depois, viverão num inferno. É isso. Tal situação já é uma realidade que terá uma sequência onde é garantido que tudo irá piorar para todos. A Terra continuará aqui, mas nós, talvez não. Pelo menos não da forma como hoje estamos.

E qual é o problema? Muitos pensam que é a perigosa mudança climática que está acontecendo, mas, de fato, o verdadeiro problema é outro. O problema somos nós. Fomos nós que criamos esta situação. Que tipo de criatura somos para criar um mundo tão injusto e cruel para tantos? Para completar o quadro, nós, que somos a origem da iminente catástrofe, não temos ainda as condições morais e nem a maturidade necessária para mudar o rumo das coisas. Isso acontece porque somos, ainda, crianças. Sendo assim, a solução efetiva para a mudança climática precisa seguir estes passos:

  1. Amadurecimento das pessoas;
  2. Mudança no sistema de organização mundial;
  3. Mudanças nas ações que geram o desequilíbrio de nosso ambiente.

O desequilíbrio do ambiente (item 3) é consequência do doentio sistema de produção, distribuição, consumo e reaproveitamento do lixo (item 2) que é consequência da imaturidade e pouco desenvolvimento da maior parte da população do mundo (item 1), incluindo neste grupo, a maioria dos líderes. É isso.

Deixemos de lado os itens 2 e 3. Vamos nos concentrar no item 1, a causa de tudo. Para os interessados em informações sobre o nosso sistema de consumo e econômico, sugiro que assistam a estes vídeos:

Vamos agora à causa do problema: nós mesmos. Nós somos os que já criaram várias guerras, que já sofreram as consequências nefastas delas e que, apesar disso, continuam fazendo exatamente a mesma coisa. Mesmo depois da terrível 2ª Guerra Mundial, ocorrida há mais de 60 anos, nossas atitudes não mudaram em relação às guerras, pois as armas continuaram sendo fabricadas em enorme quantidade, seu comércio continuou enriquecendo a muitos e as guerras jamais terminaram. Os judeus, reconhecidos como os maiores injustiçados nesta 2ª Guerra por que seis milhões (6.000.000) deles foram cruelmente assassinados no holocausto, continuaram, depois disso, envolvidos em guerras e matando a outros eles próprios. Calcula-se em 55 milhões o número de mortos nesta guerra sendo 4,2 milhões de alemães e 20 milhões de russos (segundo http://www.starnews2001.com.br/leituras.html). E continuamos investindo em conflitos armados, só que agora não mais tão grandes, para não terminar nunca com os riquíssimos negócios bélicos.

E 55 milhões de pessoas é pouco perto de mais de um bilhão (1.000.000.000) que passam fome hoje em dia. E nós somos os que causamos este problema e não colocamos sua solução como prioridade. E se a fome fosse entre os norte-americanos ou europeus faríamos algo? E por que não para os negros africanos? Nós somos aqueles que fazem um bilhão de negros serem  menos importantes do que seis milhões de judeus. Nós somos os que, então, diferenciam umas pessoas de outras, como se isso pudesse ser possível. Nós somos os que matam a natureza, desmatando-a, caçando-a e depredando-a. Nós somos os que se julgam donos do mundo e do universo. Nós somos os que tentam fugir da angústia através de remédios psiquiátricos e plásticas. Nós somos os que fazem da indústria farmacológica um poderio cujo propósito maior, como o de todas as outras, é o lucro financeiro e não a verdadeira prestação de um serviço. Nós somos os que vivem drogados, todos cafeinados sempre, quase todos alcoolizados, bilhões medicados e muitos narcotizados. Nós somos os que criaram cultos religiosos pelo poder. Nós somos os que escravizam os seus semelhantes. Nós convivemos num mundo cheio de suicídios que tentamos encobrir.

Mas, somos muito mais do que isso, pois, se fôssemos só isso, há muito já estaríamos extintos.

Onde quero chegar? À nossa infantilidade. A imaturidade que nos faz, apesar de sermos humanos, tão dependentes ainda de instintos animais como o da caça e o da luta pelo poder. Chegamos, inclusive, a refinar tais instintos até o nível da perversidade. Esta imaturidade faz com que muitos lutem usando de qualquer recurso pelo poder e, uma vez lá, mantenham-no para alimentar sua vaidade. Imaturidade. Todo o sistema criado não é só para nos alimentar, educar e proporcionar uma vida saudável e feliz. Ele serve, desde sempre em nossa história, para enriquecer rapidamente alguns com um altíssimo custo para todos. Sempre foi assim, mas, no passado, tínhamos pouca tecnologia e éramos poucos.

A solução? É simples: precisamos acordar e nos tornar conscientes da realidade. Que realidade? A nossa. Somos humanos e temos inteligência, autoconsciência e uma espiritualidade que já nos permite perceber que estamos evoluindo.

É óbvio para qualquer um que existe uma diferença evolutiva entre um cão e nós. Tal diferença continua evoluindo e essa é nossa função. É como uma criança que aprende, se educa e amadurece em sua vida até se tornar um adulto. Se crescermos, não seremos mais estes loucos que investem para se aniquilar. Se crescermos, veremos que não estamos, cada um de nós, sozinhos neste mundo. Acompanhamos-nos mutuamente aqui. E isso é ótimo. Se crescermos, poderemos vivenciar amor entre nós. Se crescermos, nos ajudaremos uns aos outros. Gente grande com tecnologia jamais teria criado alterações climáticas. Gente grande não luta desesperadamente para ter mais coisas do que o outro e nem relaciona ter coisas com algum tipo de superioridade. Gente grande vê no outro uma pessoa amada a ser cuidada e não um europeu, um negro, um índio, um muçulmano ou um budista. Gente grande não exclui ninguém dos benefícios disponíveis através do próprio trabalho.

Infelizmente, não estamos agora com o tempo necessário para amadurecer antes de arrumar as porcarias que fizemos. Sendo assim, pagaremos o preço. Pelo menos não é injusto, pois somos os culpados. Espero que possamos assumir esta culpa e a responsabilidade pessoal pelas correções necessárias. Não podemos mais ser aquela criancinha que espera que papai resolva seus problemas. Não podemos mais ficar esperando por avatares que venham interceder por nós. Não podemos mais supor que um Deus criador do universo responsabilize-se eternamente por nossos pecados. Precisamos crescer e cumprir com o que este Deus espera de nós: a evolução, regra básica do universo criado por ele.

O tempo passará. Agora pagaremos, mas creio que os sobreviventes poderão seguir seu caminho para, bem mais tarde, deixar uma descendência que evoluirá. Imagino uma civilização onde todos sejam mais maduros. Daqui a 100.000 anos. Talvez 500.000. Talvez mais. Este Homo evoluidus mostrará às suas crianças, através de seus estudos arquelógicos e antropológicos, como era o seu ancestral Homo sapiens, a primeira criatura conhecida que adquiriu consciência. A criatura que deu o primeiro passo depois do mundo animal.

Referências:

O que aconteceu com Leila Lopes?

Postado em TV, artes, comportamento, crime, suicídio, teatro, violência com as tags , , , , , , em dezembro 13, 2009 por Luciano Pillar

Leila Lopes se matou.

O que sabemos de Leila é sobre sua vida profissional. Neste aspecto, Leila foi uma atriz que fez sucesso através de novelas televisivas na década de 1990, não conseguiu manter esses empregos e o sucesso anterior, pousou para a Playboy e foi para o mercado de filmes pornográficos. Foi pela perda do sucesso que ela deu um fim em sua vida? Não sabemos, mas sobre o suicídio e uma carta que ela deixou antes deste ato podemos nos expressar.

Neste dezembro de 2009 ela resolveu se matar. Segundo foi divulgado, ela deixou uma carta de despedida onde afirmou: “Não chorem, não sofram, eu estou ABSOLUTAMENTE FELIZ! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe. Eu não me suicidei, eu parti para junto de Deus… não sou covarde não, fui uma guerreira, mas cansei. É preciso coragem para deixar esta vida… acontece que eu não quero mais morar em lugar nenhum. Eu não quero envelhecer e sofrer… Eu quero paz! Estou cansada, cansada de cabeça! Não aguento mais pensar, pagar contas, resolver problemas… eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará e me aceitará como uma filha bondosa e generosa que sempre fui“.

Não é possível julgar alguém, pois não conhecemos todas as circunstâncias da vida do julgado, todas as emoções e provações de sua vida e, mesmo que tivéssemos toda esta visão, carecemos da suficiente inteligência e maturidade para julgar. Entretanto, podemos expressar algumas considerações sobre a vida dos outros no sentido de ver o que é bom para todos e o que não é.

Em primeiro lugar, Leila teve sucesso e o perdeu depois. Entenda-se por sucesso o ser famoso, ter um status social superior ao da média das pessoas e ganhar um bom dinheiro. Esta definição comum de sucesso, em si, já é um erro. O verdadeiro sucesso implica evoluirmos, melhorando e enfrentando os desafios do crescimento humano. E isso não tem nada a ver com circunstâncias sociais e culturais, como estas descritas. E o julgamento do sucesso não é, como visto, possível de ser feito completamente por nós. Mas, Leila deve ter se deprimido com esta queda do pedestal onde subiu. Ainda sobre o sucesso, considere que o poder que ele aufere à pessoa fascina e vicia. E que a sua perda deprime, geralmente bastante. Mas, isso já acontece entre chimpanzés e bonobos. Seria correto nos comportarmos exatamente como eles sem reagir a isso?

E o suicídio? O que dizer dele? É um direito nosso?

Em primeiro lugar, não se fala em suicídio. Não se divulga. Esse assunto é tão sério que, mesmo no nosso mercado jornalístico, que nos mostra todo tipo de barbaridades e atrocidades sem o menor constrangimento, inclusive ressaltando mais as coisas erradas do que as corretas, o suicídio não é permitido. Dizem que é para não incentivá-lo naqueles potenciais suicidas. Mentira. Se assim fosse, não mostrariam também cenas de crimes impunes. A razão é muito mais profunda, mas nunca discutida a sério.

Temos o direito de tirar nossas próprias vidas? Eu perguntaria, antes, se nossa vida é nossa propriedade. Ora, nossa vida é algo muito superior a nossa capacidade de criação. Ela é uma dádiva que nos foi dada por algo inimaginavelmente superior a nós. Ela tem propósitos acima de nossa capacidade de julgamento ou opinião. Ela somos nós. E nós estamos aqui para quê? Para quê realmente vivemos? Tivemos o direito de decidir entre existir ou não? E de decidir nosso sexo e o formato de nosso corpo?  E onde nascemos? Não decidimos sobre nada disso e não somos donos da vida de ninguém e de nenhum ser. Inclusive da nossa. Não temos a nossa vida, nós somos ela.

Uma vez vivos, nós temos opções. Estas dizem respeito as nossas ações, a direção que damos à vida, com quem convivemos, no que trabalhamos, etc. As opções principais, entretanto, têm a ver com nossas verdadeiras atitudes e sentimentos na vivência de todas as situações, boas ou ruins, pelas quais passamos. Estas atitudes, que podem ser melhoradas pela vontade nos pontos que descobrimos serem importantes, através do estudo e do exemplo das pessoas certas, é que vão sendo gravadas em nós como acréscimo de maturidade e evolução no caminho do que vem depois de nós. E essa gravação, usando este modelo como analogia, são feitas em uma essência de nós que não nos pertence. Eu diria, e muitas filosofias e crenças, assim como muitos de nós o sabem de alguma forma, que essa essência de vida e consciência é divina. E isso nos pertence?

Não posso julgar, mas me parece que quando Leila afirmou que estava “ABSOLUTAMENTE FELIZ”, fica um pouco estranho, pois, pessoas felizes não sentem a menor vontade de se matar. Seguindo, a respeito das afirmações pré-suicídio dela, eu diria:

  • É preciso coragem para deixar esta vida
    • É preciso ter coragem para fazer nosso dever, que é viver esta vida e aprender.
  • Eu não quero envelhecer e sofrer
    • Essa é uma opção que não está disponível para nós. Existe o sofrimento e nós o enfrentamos e aprendemos com ele. A consciência da direção correta da vida e a vivência disso não é sofrimento. As circunstâncias podem ser sofríveis, mas a vida e nós somos muito mais amplos do que elas. O puro apego ao mundo e as regras de nossa parte animal, como o sucesso em relação aos outros que não o possuem (vaidade) gera sofrimento, pois não está na direção correta dos verdadeiros propósitos da vida.
  • eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará“.
    • Essa decisão não está disponível. Provavelmente há um custo alto para ela. Muito possivelmente superior  aos possíveis “problemas” dos quais o suicida quer fugir. Mas, isso são suposições. Serão mesmo?
    • Leila fala muito em Deus. Por quê? O que ela entende por Deus? O que será que ela, que tanto falou nele nesta carta, entendia sobre o propósito dele para com ela e do presente maior que ele teria lhe dado, a própria vida dela?
  • Obrigado Jesus, Nossa Senhora e meu Deus, perdoem-me e recebem-me como a filha honesta e bondosa que sempre procurei ser!
    • Leila refere-se ao Deus cristão, que enviou seu espírito (Cristo) em um homem e deu a ele uma missão certamente mais sofrível que a dela. Se esse Deus não o livrou de uma morte dolorosa, como poderia ela supor que Ele iria simplesmente perdoá-la? Perdoar por que ela não suportou ter sucesso? Mas, sim, é provável que Ele a perdoe, pois o perdão é algo descrito na bíblia cristã. Mas será que Ele a livrará da lição da qual ela fugiu nesta vida? E sem nenhuma consequência? O homem que encarnou Cristo, chamado Jesus, certamente sabia e via muito mais do que os seus conterrâneos, cegos e ignorantes se comparados a ele. Certamente isso lhe deu uma vida de solidão e sofrimento. Teria sido a vida de Leila uma provação maior? Obviamente sua provação seria menor, pois Deus não teria lhe exigido algo do nível possível ao exigido de Jesus. Mas, cada um com sua cruz. Cada um a carrega até onde aguentar. E a morte virá, mas não pela desistência e nem pela mão do próprio ser que de Deus ganhou a vida. Nem Jesus teve esse direito.

Não se fala em suicídio, mas vivemos num mundo onde ele existe em grande quantidade. Por quê? Responder a esta questão leva a um livro, mas sua essência é simples. Muitos suicídios em uma sociedade mostram o fracasso desta. As sociedades servem para criar um ambiente onde podemos sobreviver e progredir, pois elas são um agrupamento de muitos para o fortalecimento de todos. Mas, se há muitos suicídios, é por que não deu certo. E, pessoalmente falando, o suicídio acontece por que a pessoa fica cega e ignorante do verdadeiro propósito da vida. Nesta situação, apega-se aos detalhes e desilude-se. Vaidosos com o corpo e sua posição social, muitos passam a ver nisso a função da vida. Porém, como a verdadeira função está gravada no interior de seu ser, na parte divina da qual não podem fugir, entram em conflito. E existem, ainda, as razões físicas. Doenças mentais que tentamos entender, com nossa ciência cartesiana, como meras desequilíbrios orgânicos e químicos que levam a profundas depressões e ao consequente suicídio. Mas, os desequilíbrios químicos podem ter outra origem não física. E as sofridas vivências proporcionadas por eles podem ter um propósito além de nossa percepção. Esse assunto vai longe, muito mais do que um texto de um blog.

Como despedida, um pouco mais de sucesso para ela numa sequência cronológica de fotos. O olhar dela, com o passar do tempo, indica que esteve indo em direção ao Deus que, no fim, quis encontrar tão rapidamente?

LeilaLopes1
LeilaLopes2

Bons negócios são feitos por boas pessoas

Postado em amor, comportamento, honestidade, negócios, sentimento, sociedade com as tags , , , , , em novembro 28, 2009 por Luciano Pillar

Vendi um apartamento e comprei outro. Depois, me mudei. Venda, compra, contratos, escrituras, dinheiro e impostos. São os negócios, correto? Sim, mas muito antes disso, e como tudo na vida, a questão é uma só: pessoas!

Os negócios são tão confiáveis e seguros quanto as pessoas. Isso significa que os negócios podem ser ótimos para todos. É o que acontece quando pessoas maduras encontram-se para negociar. A maturidade nos faz cientes da importância dos outros e a não nos apegarmos às coisas materiais do mundo. Sendo assim, qualquer negociação já é muito tranquila para muitos de nós e, um dia, quando todos crescerem, ficará na história o tempo em que uns passavam a perna nos outros. Uma história que será de difícil compreensão para os verdadeiros adultos de amanhã.

Vamos a minha experiência real de negociação de um apartamento. E, como sempre, convido-os a pensar e aprender com ela.

Eu e a família olhamos vários apartamentos até chegar ao escolhido. A escolha recaiu no que sentimos quando entramos nele: leveza e bem-estar. E, é claro, tal sensação teve uma origem: a pessoa que nos recebeu em sua casa. Dona Nara, a proprietária, nos acolheu e nos mostrou sua casa de forma tão amável que imediatamente nos fez sentir  em casa. Depois disso, vieram os aspectos técnicos. Como o imóvel era bom, estava feita a escolha.

A próxima etapa foi a negociação. Falarei agora na primeira pessoa para descrever minhas próprias impressões. Neste momento conheci os outros proprietários, pois o apartamento era de dona Nara e de seus filhos, e a empresa que intermediou nosso negócio. Dos proprietários conheci especialmente a filha Alessandra, com quem realmente tratei do negócio. De imediato notei estar diante de uma pessoa e não apenas de alguém querendo negociar. Este é um importantíssimo passo no contato humano e que, pela força de hábitos do rápido mundo que supomos civilizado, costuma-se passar por cima. A Alessandra se mostrou humana e transparente o suficiente para que eu soubesse que estava diante de alguém com quem tudo seria tratado com honestidade. Esse é o verdadeiro negócio entre pessoas que não se escondem de si nem do outro, pois não há o que esconder.

Vamos agora à empresa que nos apresentou o imóvel e intermediou toda a negociação. Novamente fui um felizardo por ela ter sido a Imobiliária Morare (www.morare.com.br). A empresa existe para ter lucro com seus negócios, correto? Sim, mas bem antes disso, e muito mais correto ainda, é que a empresa é uma associação humana e, desta forma, uma extensão de nossa humanidade. É um conjunto de pessoas unidas na perseguição de um propósito. Então, de forma mais completa, a empresa existe para servir às pessoas realizando seu trabalho. O lucro financeiro é uma consequência. E a Morare desempenhou seu papel, com esta conotação, de forma impecável. Serviram-me, sempre, de uma forma eficiente e humana. Não me senti sozinho.

Mas uma empresa, de fato, são as pessoas que a compõem. Na Morare, aquela que realmente nos atendeu foi a Andrea. Novamente me sinto alguém de muita sorte mesmo, pois a Andrea é uma pessoa como a Alessandra. Humana, atenciosa, interessada em ajudar aos outros e competente em seu trabalho, ela assessorou-me impecavelmente nas questões do negócio e, melhor ainda, tornou-se uma amiga. Assim a vejo. Não falo isso sem um conhecimento mais embasado, pois, devido a umas pequenas complicações burocráticas (documentos que faltaram), o negócio demorou meses, apesar de eu ter me mudado antes de seu término. Assim, tive bastante tempo para conhecer estas pessoas.

Essa demora nos levou a várias situações, como a quebra de prazos contratuais e as previstas multas, a necessidade de dona Nara pagar o outro apartamento que ela comprara para morar e que dependia do dinheiro deste, entre outras. Todas estas situações, tratadas de ambas as partes por pessoas honestas, transparentes em suas posições e dispostas a ajudar o outro lado nos seus problemas, foram transpostas sem nenhuma dificuldade. Assim é a vida de pessoas maduras o suficiente para entenderem que os outros, e não as posses, são o que temos de mais importante nesta vida. E, consequentemente, assim são as negociações para elas.

Sendo assim, parece-me que influímos positivamente uns nos outros. Acrescentamos uns aos outros. Sentimentos de amor percorreram-nos. Amizades nasceram e bons exemplos pessoais somaram-se em nossas vidas. Isso é estar vivo cumprindo com os objetivos de nossa existência.

Então, amigos, esse é um negócio real. Como ele, tenho várias outras situações de minha vida e de conhecidos que mostram como nossa realidade está repleta de casos corretos e bem sucedidos de vida e de negócios. Normalmente são divulgados os casos problemáticos da vida. As desonestidades e crimes chegam aos nossos ouvidos e tendem a se tornar o espelho da realidade, mas, de fato, tais casos são apenas parte da realidade. Se fôssemos apenas maus, possivelmente já estaríamos extintos  há muito tempo.

Bom, entendido o fato de que a honestidade e os verdeiros e saudáveis relacionamentos humanos são reais e abundam entre nós, tentemos entender o outro lado.

Vamos a um dos princípios para tudo que é a visão do universo a partir de nós mesmos. Pense em você mesmo. Você é o grande personagem de sua vida. Possivelmente o maior e mais importante. Você pensa em você e se ocupa de si mesmo. Você é a razão de suas atitudes e ações. Você é o que existe e tem as suas necessidades. Você é o que precisa sobreviver e ter sua importância. Você necessita ser querido e amado. E ser importante para os outros. Você que está lendo isso, a mente que está funcionando e aquele a quem você chama de “eu”, é o centro do universo. E o que é você? Uma pessoa.

Olhe agora ao seu redor. O que você vê? Aquele a quem você chama de “eu”, com certeza, vê outras pessoas. A mente, que foi treinada nessa sociedade, talvez possa se confundir um pouco e ver os objetos do mundo e seus valores atribuídos pela sociedade. Mas, no seu entorno, existem outras pessoas. Seriam elas importantes? Pense egoistamente para começar a responder a esta questão. Você gostaria que elas soubessem de sua própria importância? Que gostassem de você e se importassem com sua vida? Que o ajudassem nas suas próprias necessidades? Que cuidassem de você? Que lhe dessem afeto e compreensão? Que lhe amassem?

Pense um pouco mais. Você já esteve sozinho alguma vez na vida? Digo sozinho mesmo, fisicamente e por bastante tempo. Meses ou anos em isolamento, sem estar com ninguém. Faltou-lhe esta experiência? Você consegue imaginá-la? Suportaria essa situação? Ninguém para compartilhar. Ninguém para culpar. Ninguém para amar. Mas, e se você ficasse isolado por alguns anos com tudo o que quisesse. Piscina, carro, roupas, home theater e até  livros, telefone e Internet. Você até poderia falar e ver as pessoas, mas nunca teria sua presença real. Consegue imaginar como seria? Suportaria?

Onde quero chegar? Ao fato de que estamos aqui e não estamos sozinhos. Ao fato de que os outros que estão ao seu redor constituem a principal necessidade de sua própria vida. Ora, se os outros são minha maior necessidade, qual o sentido em não me dedicar a eles? Isso faz sentido para uma pessoa ainda egoísta e, para aquela que já ultrapassou esta fase de desenvolvimento, dedicar-se aos outros importa em si e não apenas pelas necessidades pessoais.

Então, o que temos mesmo somos a nós. E aos outros. Com a maturidade isso fica claro e, esta, depende de tempo de vida e de experiências úteis. Depende de vermos e de nos tornarmos conscientes. Os bebês esperam atendimento incondicional e imediato aos seus desejos. Choram para obtê-los. Quando crescem, entendem que o mundo não existe apenas para atender aos seus desejos. Quando crescem mais, entendem que existem outras pessoas. E, continuando o crescimento, percebem, gradativamente, que os outros têm necessidades, que as verdadeiras necessidades não são os desejos e as delícias dos prazeres do mundo físico e que os outros são vidas conjuntas consigo próprias num universo integrado. E a evolução continua ainda a partir daqui. No nosso mundo temos hoje diversas pessoas em diferentes estágios. Muitos apesar da idade, ainda são bebês. E a maioria ainda está presa à fase de servidão e apego aos desejos sensoriais. E essa maioria define o sentimento preponderante em nossas diversas sociedades que incentiva em todos o apego ao material e ao desejo de prazer e de poder. Mas, enquanto isso, continuamos crescendo. É a lei e andamento único do universo.

Amigo, gostaria muito de dizer-lhe que é ótimo estar e negociar com outros quando nos importamos com eles. Isso é um fato real que já experimentei várias vezes. E conheço outros que também têm esta experiência. Isso é um fato e, contra fatos, argumentações são inócuas. Quando acontecem desonestidades, todos sentem-se mal. E todos perdem. A desonestidade é apenas uma distorção causada pale falta de maturidade. Ela é como a escuridão que, de fato, não existe, pois ela é apenas a falta de luz que, esta sim, existe.

Nosso negócio com o apartamento terminou de forma boa para todos. Foi um sucesso! Óbvio. Poderia ser de outra forma? Se ninguém faria nada para se beneficiar à custa de problemas ao outro, como poderia algo dar errado? Se algo fosse prejudicar o outro, cederíamos. Todas as necessárias solicitações eram feitas, de um lado ou do outro, ponderadas e aceitas, com poucas modificações. Todas as solicitações eram cumpridas conforme combinado. Todos os momentos em que alguém tinha que ceder, cedia-se. Surgiu a confiança e, com esta, a tranquilidade.

Com o tempo todos amadurecerão o suficiente para saberem da verdade que já está clara para muitos: na realidade é impossível fazer um benefício a si próprio em troca de um malefício a outros, pois estamos todos unidos.

Referências: