Amores possíveis

Recentemente fiquei muito tentado a assistir uma palestra intitulada “Os Amores Impossíveis”. Mas, quando chegou o dia, desisti. Chega de sofrimento! – pensei. Onde está o verdadeiro amor possível num casal? Onde estão aqueles que o encontraram? Onde estão os que o viveram por muito tempo imersos na realidade cotidiana? Desisti de ver a palestra sobre os amores impossíveis, apesar de saber que ela poderia apontar alguns caminhos. Quero o amor possível!

Mas a vida, cheia de surpresas e misteriosos caminhos, poucos dias antes desta palestra já tinha me colocado de frente com o amor. Foi num sonho. Daqueles bem reais. Eu estive com uma bela mulher sentado em uma mesa de um bar. Nós e o amor. Nós, unos, e o tempo fora de nós, parado. O mundo mudou quando estivemos ali sentados, um diante do outro, olhos nos olhos. Amor real ou imaginário? Possível ou impossível? Ora, foi só um sonho. E dizem que eles não são reais. Será? Seja como for, eles costumam ir embora para não mais voltar e, este, me deixou só e com o coração partido. Mas, muito pior é não amar.

Sonho de amor

Estávamos num bar sentados numa mesa, um diante do outro. Simplesmente juntos, profundamente juntos e felizes. E assim ficamos. Estávamos totalmente conectados através de nossos olhares, que atingiam o fundo de nossas almas. Ligados por linhas invisíveis de energia que nos interpenetravam e nos uniam, éramos completos. Nossas mãos se tocavam. Ao nosso redor, o tempo e o mundo estavam parados. Estávamos noutro nível de consciência e dimensão onde a razão não entra. Estávamos num mundo extremamente sutil, acessível apenas àqueles que se unem em amor. Nada mais, nada menos, como se isso pudesse fazer alguma diferença. Estávamos, antes de mais nada, felizes. Muito, mas muito felizes. E completos. Não precisávamos de mais nada que já não tivéssemos ali mesmo, naquele eterno e inesquecível momento que ficamos juntos. Quando saímos deste lugar notamos que não havia mais ninguém ali. Estivemos tão absortos na nossa união que não percebemos a movimentação do mundo que nos cercava. Depois, também saímos do bar e nos separamos. Veio a tristeza e a dor da solidão tão comum entre aqueles que se amam e se afastam. Mas já estávamos acima disso e sabíamos que somos completos em nós mesmos. Não é mais a ausência do outro, por sentirmos que falta algo em nós mesmos, que nos entristece, mas sim a falta do outro pelo amor que sentimos por ele e pela vontade de estar próximo. Sabíamos ambos, ainda ali naquele mundo onírico, que estaríamos apenas fisicamente longe um do outro. O amor é uma força, uma energia, uma existência independente que perdura e contagia. Amei mais ainda minha querida amada que ali estivera comigo. Hei de encontrá-la novamente. Hei de dar o amor que habita meu coração à ela. Hei de beijá-la e amá-la como ela merece!

Acordei com a lembrança do que vivi naquele sonho. E vivi muito. Antes de levantar, constatei que de nada adianta pensarmos no amor sem sentí-lo. E nem querermos estar com alguém apenas pelos laços históricos, familiares ou porque convém segundo nossos planos racionais se, antes, não acontece a manifestação deste amor. Na forma de uma oração falei com minha amada do sonho antes de me levantar e lhe disse: “Querida, não se preocupe. Eu irei encontrá-la no mundo dos humanos acordados. E não se esqueça: Eu te amo!!”. Levantei da cama feliz.

O Amor divino desce à Terra

O Amor é uma manifestação divina além da compreensão humana. É algo que existe sempre, dentro e fora de nós. De fato, não há lugar, tempo ou dimensão onde ele não esteja. O Amor é uma existência primordial do universo, um tipo de força que dá vida e une a tudo.

Uma vez que trazemos o Amor para nosso mundo humano tetradimensional nós o limitamos. Além disso, nossa mente mortal o molda de acordo com suas próprias intenções e desejos. Já de início, o Amor divino, limitado e remodelado para se tornar o amor humano, passa a ser diferenciado em amor familiar, em amizade, em amor pelo trabalho ou arte e, claro, entre homem e mulher (ou outras variações deste tema). Vamos nos concentrar apenas nessa última forma de amor, de acordo com a palestra e com o sonho que motivaram esta redação, e tentar mostrar o porquê de tanto desencontro e infelicidade a médio e longo prazo. Essa questão rende vários livros, mas vamos nos concentrar no essencial.

A linha divisória entre o amor humano impossível e o possível

Para vivermos um amor possível precisamos saber de algumas coisas. E não apenas conceitualmente.

Somos seres espirituais que também tem uma vida no mundo físico. Sendo assim, o amor depende dos profundos laços que nos conectam espiritualmente ao outro. Não adianta esperar que a pura beleza física, a simpatia, a posição social ou o dinheiro da pessoa que elegemos “amar” sirvam para que esta escolha resulte no verdadeiro amor. O amor não vem das conveniências definidas por nossas limitadas mentes racionais. O amor parte do mundo espiritual. Quando olhei nos olhos daquela mulher com quem me encontrei no mundo dos sonhos eu vi o amor e a conexão. Já vi isso – poucas vezes – no mundo “real” e torço para que você saiba do que estou falando através de sua própria experiência.

O amor, num nível espiritual, permite que vejamos o outro e possamos auxiliá-lo em seu caminho de evolução. E o outro fará o mesmo por nós. É uma união evolutiva. É a lei deste universo em execução.

Saber amar e ser amado é uma condição primordial. Infelizmente, muitos fracassam já neste quesito. Vivemos num mundo repleto de pessoas sequeladas em seu amadurecimento. Almas, mentes e emoções atrofiadas por prolongados erros pessoais e alheios são muito comuns em nosso mundo. Pessoas que não sabem amar e nem serem amadas não conseguem viver um amor verdadeiro.

Ter vida sexual como parte da vida amorosa. O sexo é uma união sagrada entre as pessoas. É uma energia que conecta as pessoas tão sagrada que, através dela, abrem-se as portas para a vinda de outro ser humano ao mundo. O sexo é uma forma de unir que tem uma parte no mundo físico, mas vai muito além disso. E a união é também uma expressão, consequência e natureza do amor. O sexo, então, é parte do amor. Olhar o sexo como uma mera forma de prazer com origem carnal é uma visão extremamente pequena. Tal uso já é possível no reino animal e, se fizermos esse tipo de abordagem em relação aos relacionamentos sexuais, estaremos nos rebaixando a algo inferior ao nível evolutivo humano. Mesmo pensando apenas em prazer, se usarmos o sexo para a união amorosa teremos mais prazer ainda, apesar de, neste caso, nem ser este o objetivo final. Nunca devemos ter o mero prazer como objetivo final. O prazer de uma união amorosa supera em intensidade e duração o tão idolatrado orgasmo.

Outra coisa mais grave ainda que deve ser evitada é o uso da energia sexual para fins de dominação e política. Usar desta energia sagrada apenas visando ascensão social e financeira,  ou ainda o mero domínio de pessoas inferiores na escala social, é uma das grandes razões do estado de grande infelicidade e solidão das pessoas desta humanidade. Infelizmente, essa energia também é usada como forma de domínio e definição de hierarquias dentro de casamentos.

(os tipos de sexo: veja aqui)

Saber ver o outro como ele é e não como esperamos ou precisamos que ele seja para suprir nossas necessidades. É muito comum que o outro seja transformado numa muleta usada para suprir as nossas carências. Tendemos a projetar no outro nossa própria visão, carregada com nossas dificuldades, sombras, desejos e culpas. Simplesmente uma transferência que, além de impedir a visão do outro e a possibilidade de ajudá-lo a crescer na sua própria vida, também nos impede de resolvermos nossas mazelas, já que as negamos. Isso não é amor e o fracasso desse tipo de associação é apenas uma questão de tempo. Esse tipo de problema atinge a esmagadora maioria dos casamentos. Trata-se de uma epidemia.

Não desejar o outro. Desejamos algo que queremos “para nós”. A pessoa que amamos não deve ser um desejo nosso, pois ela não está no mundo para nos suprir. Ela é outra pessoa. É completa em si mesma, um espírito independente, em seu próprio caminho. Ela tem sua vida e deve ser amada pelo que ela é. Nào devemos e nem temos o direito de desejá-la para nós pelo que necessitamos. Como é bom amar uma pessoa por ser ela quem é, para vê-la crescer, desabrochar, caminhar, evoluir e ser feliz. Possivelmente ela ficará junto de quem a ama e, assim, não a “perderemos”. Mas, ela poderá ir-se fisicamente e, mesmo assim, devemos querer isso para ela, se esse for o caminho verdadeiro. Isso é amor. Podemos ter realmente um pássaro se o colocamos numa gaiola para nosso deleite? Podemos realmente “ter” alguma coisa? Temos apenas a ilusão de possuir algo. Não temos nem nosso corpo físico, que não foi feito por nós e será inevitavelmente tirado de nós numa data que não será decidida por nós. Nem nossos pensamentos são exatamente nossos.

Não viver em função das expectativas e imposições alheias. O que a família espera que façamos? Somos obrigados a prestar contas aos seus padrões? E a sociedade, o que espera de nós? Devemos simplesmente cumprir os seus preceitos de amor e casamento adequados? Quantas pessoas se casam com alguém apenas porque “investiram” demasiado tempo no relacionamento e não querem desperdiçá-lo? E quantas usam esse critério para manter casamentos que não passam de prisões que as impedem de continuar crescendo na jornada de suas próprias vidas? Em nome de muitas desculpas, mas, de fato, por falta de visão ou coragem, mergulham numa perigosa desventura. No lado oposto, quantos há que se separam e casam novamente inúmeras vezes, como se fosse possível se encontrar vários amores para isso? Precisamos saber se esperamos encontrar em alguém o amor ou apenas alguns requisitos pré-definidos.

Não tentar fazer do amor um fruto de nossos processos puramente mentais. Não sabemos de onde vem o amor entre duas pessoas, mas, certamente, não é do mundo de nossa mente. Precisamos estar atentos e abertos ao que é maior do que nosso mero pensamento. Como exemplo, retomo o meu sonho. Eu e aquela mulher nos olhávamos de uma forma que não pode ser decidida ou simulada mentalmente. O que ali existiu é o que é e não pode ser criado em bases racionais. Aquele tipo de olhar não acontece com qualquer um no dia-a-dia e não pode ser moldado pelas conveniências sociais. Aquele é um olhar entre almas! Uma vez que se encontre uma pessoa assim, através deste caminho, aí sim, podemos investir no resto com a certeza de que estamos no caminho certo.

Saber amar os filhos e estar disponível para eles. Saber vê-los como seres que tem sua própria individualidade e propósito na vida. “Educar é tornar-se dispensável”, alguém disse.

Não se deixar subjugar pelos próprios medos. Os medos são necessários para nos preservarmos em muitas situações perigosas. Entretanto, muitos deles são inconscientes e direcionados para coisas e problemas aos quais não precisaríamos, ainda, estar conectados. Outros tantos nem são nossos, mas de nossas famílias e grupos dos quais participamos. O problema é que eles simplesmente nos paralisam. O mundo do medo não tem fim e devem existir quase tantos medos quanto pessoas. No caso específico de relacionamentos amorosos e casamentos há muitas manifestações de medos. Para citar apenas alguns:

  • não se admitir viver sozinho;
  • questões econômicas e de status social;
  • possibilidade de não se ter filhos;
  • incapacidade de se viver sem as muletas fornecidas pelo cônjuge, um medo típico daqueles que não amadurecem e não resolvem seus problemas, mas apenas os amortecem ou escondem;
  • sensação de tempo e vida desperdiçados;
  • a opinião e julgamento dos outros.

Medos é que não faltam. Será que um amor que nos cause algum medo não deveria ser vivido em vez de imaginado? Não é mais assustador seguir a vida com esta dúvida? Ele poderá ser eterno e poderá resultar em qualquer coisa, como uma família e filhos ou uma vida mais autônoma. Ou poderá ser breve, mas verdadeiro, profundo e libertador. Ele poderá promover muitas curas internas. Como saber sem vivê-lo?
Se o amor é verdadeiro, se veio do plano espiritual, é muito triste não vivê-lo por medo. Com certeza perdemos muito em não deixar acontecer um amor verdadeiro e ganhamos uma eterna e massacrante dúvida sobre como poderia ter sido.

Ser o mais livre possível. Por uma pessoa livre entenda-se aquela que, sabendo razoavelmente bem quem é e qual a razão da existência humana e da sua, é suficientemente experiente e madura para não viver  presa a muitos erros e falsas ilusões. Infelizmente, esse nível de consciência não é comum. Quem já atingiu este nível de maturidade já consegue olhar para o outro e vê-lo mais integralmente. E já não precisa de outra pessoa que sirva de muleta para que se sustente, pois já consegue ficar em pé sozinha. Por tudo isso, o verdadeiro amor se expressa de forma mais completa em pessoas livres.

Entretanto, mesmo nas nossas prisões, podemos viver um amor que é verdadeiro até onde nos é possível, pois, com a correta intenção, podemos, mesmo presos, ajudar ao companheiro a caminhar e nos permitir ser ajudado por ele.

Do sonho à realidade

Quando me lembro do sonho daquela noite, só quero que ele venha à realidade. Mas, uma vez aqui neste mundo, não quero escrever nem falar, mas apenas beijá-la com todo o amor que ela merece. Beijá-la de verdade. Beijá-la física, etérica, emocional e mentalmente. Beijá-la com a alma e com o espírito. Beijá-la toda. Tomá-la em meus braços e sentí-la inteira encostada em mim, o calor de nossos corpos passando de um para o outro. Beijá-la como um homem completo deve beijar uma mulher completa. Com Amor. Com muito Amor!

Viver uma vida que tenha um sentido maior e ser feliz requer a sapiência de quem já amadureceu minimamente. Esta é a linha divisora entre o amor impossível e o possível. Sem transpô-la, sobram apenas ajuntamentos e associações econômicas entre as pessoas e sua consequente e certeira infelicidade.

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Amor e paixão

Quem não quer se apaixonar? E amar, quem não quer? Mas, qual a diferença entre estes sentimentos? Vamos a uma breve história fictícia, com leves pitadas de eventos reais, para lançar uma luz nesta questão.

Sentado sob uma árvore num parque vi dois jovens beijando-se apaixonadamente. Subitamente contaminado pelo clima da paixão viajei para um tempo em que eu mesmo estava apaixonado. A sensação de estar intensamente vivo era gritante e sobrepujava tudo o mais. A pessoa por quem eu me apaixonara era uma deusa que tinha mais importância do que tudo no universo. O mundo era belíssimo, acordar de manhã era uma alegria que antecedia a oportunidade de viver mais um dia, eu ouvia o cantar de cada pássaro e o som do vento. Amando e me sentindo amado eu sentia a presença divina em tudo. Eu me sentia vivo e a vida fazia sentido.

- Você já se perguntou por que vocês só costumam ver a incrível beleza da vida quando estão apaixonados? – foi uma pergunta que me pegou de surpresa, pois partiu de um senhor que estava sentado a meu lado e que eu nem sequer tinha visto chegar ali.
- Como? – meio sem jeito retruquei.
- Se uma pessoa vê a beleza da existência apenas quando está apaixonada, seria esta beleza imaginária?
- Perdão senhor, mas, eu o conheço?
- Conhece-me há muito, mas parece não lembrar. Chamam-me de Pilar. – disse-me estendendo cordialmente sua mão.

Ao apertar a mão daquela inusitada pessoa uma impressionante sensação de bem-estar e amorosidade percorreu cada célula de meu corpo e alma. Difícil descrever, mas me senti profundamente acompanhado e vi, de novo, o brilho divino na existência de tudo ao meu redor. Ele sorriu, largou minha mão, virou-se para a frente e passou a olhar para uma árvore adiante de nós com uma impressionante serenidade. Presenciei um estado de rara comunhão entre eles.

- A paixão é uma porta disponível para que qualquer um possa vislumbrar o amor.

Sem me dar tempo de expressar minha surpresa, ele continuou.

- Quem se apaixona deve lembrar desta visão do amor e buscá-lo depois em sua vida. O amor é o sentimento máximo e um dos maiores aprendizados que se espera das pessoas nesta fase de sua existência e não a paixão, que não passa de uma porta temporária.

Voltou a se aquietar e eu, diante daquele estranho que me parecia mais próximo e conhecido do que qualquer um, fui surpreendido por uma lágrima que desceu pela minha face. De repente eu estava consciente do amor, da paixão como uma forma de vislumbrá-lo e da vida cotidiana de quase todos que, sem o efeito da paixão, não conseguem sentir a grandiosidade de tudo.

- A paixão lhes permite experimentar a sensação direta do amor e não apenas suas consequências. Fazer o bem ao amado, ou até mesmo dar a vida por ele, podem ser meras consequências do amor, assim como ficar queimado é do calor. A paixão permite sentir o amor, da mesma forma que podemos sentir o calor.
- Acho que o senhor tem razão, seu Pilar.
- Querido amigo, em alguns momentos de sua vida você mesmo já experimentou a sensação do amor de forma direta, sem a necessidade da paixão. Você lembra do que lhe aconteceu no ônibus?

Estremeci. Quem era o Sr. Pilar? Como ele podia saber de mim? Por que me sinto tão bem em sua presença? Por que ele estava ali comigo?

- Sim, como poderia me esquecer?
- E então, como foi?

Fiz uma pausa que antecedeu uma apresentação maior, mas com uma estranha sensação de que o Sr. Pilar já sabia de tudo.

- Eu estava sentado no ônibus que me levava para casa depois de meu trabalho, indo para minha casa. A minha frente, várias pessoas também estavam sentadas. De repente, algo mudou e eu senti que o ônibus, a rua e os prédios do lado de fora, assim como minha casa e tudo o mais, não tinham importância alguma a não ser prover um palco onde podemos viver. E, então, aconteceu: eu amei todas aquelas pessoas! Senti um amor enorme por todos, sem exceção. Um amor maior e mais completo do que aquele que já havia sentido numa paixão, pois não havia nenhuma tensão, medo da perda ou dependência. Não havia a comum posse e nem nenhuma segunda intenção. Era um amor puro e desinteressado por todas aquelas pessoas que eu sequer conhecia. Elas não só se tornaram familiares, como também unidas a mim. Neste mundo, época e lugar eram elas que estavam ali comigo naquele ônibus e não há acaso num universo tão extremamente organizado como este.
- E quando essa sensação terminou você se perguntou o que é que acontece normalmente quando esse sentimento não está presente na sua vida cotidiana e…
- … e, Sr. Pilar, eu pergunto agora como pode o senhor saber disso? O senhor me conhece? Quem é o senhor?

Ele simplesmente não respondeu com palavras. Olhou ao redor, num estado de encantamento e união com o mundo que ali estava naquele parque. Ele realmente estava com aquelas árvores, pessoas, cães, pássaros, chão, céu e nuvens que nos cercavam e esse estado de presença dele era uma resposta em si. Eu sei quem é ele, mas meu cérebro, mente e ego mortais é que não podem acessar esse conhecimento. Resolvi não perguntar mais nada. Apenas me tornei presente ali.

- A paixão é a coisa mais próxima do amor que o espírito não desenvolvido pode experimentar. Ela faz com que a alma se revolva e saia de si mesma. Quando vivenciam essa força, mesmo as pessoas menos desenvolvidas tornam-se capazes de superar-se. – Sr. Pilar quebrou repentinamente o silêncio com estas palavras.

E continuou.

- Mas a paixão se consome em seu próprio fogo e isso costuma se tornar um problema às pessoas menos desenvolvidas. Sem entendimento, apegam-se à paixão em si e passam a buscá-la se relacionando com várias pessoas durante suas vidas. Lançam-se inconscientemente aos prazeres sensuais na expectativa de encontrarem novamente a paixão, mas o que invariavelmente descobrem é a frustração, pois não há como forçar a paixão a aparecer pela força bruta. E muito menos o amor. Agindo assim, tornam-se meros escravos dos sentidos.
- É triste. – concluí.
- E muitos confundem o amor não apenas com a paixão, mas também com outras necessidades como a sobrevivência, a posição social e a mera dependência dos hábitos de uma vida levada ao lado de outro. É muito comum que as pessoas chamem de amor a muitas coisas que não possuem relação alguma com ele.
- Você pode me dar um exemplo disso, Sr. Pilar?
- Claro. Quando pessoas que se amam se afastam uma da outra, seja qual for a razão, elas costumam se entristecer. Elas também dialogam, identificam as razões da separação, se perdoam por suas falhas e seguem suas novas vidas ajudando-se mutuamente quando necessário. Com o tempo, a tristeza passa. Isso lhe parece claro?
- Sem dúvida.
- Mas, se a tristeza ou mal-estar não passar nunca, então, ao menos uma destas pessoas se apegou à outra. Isso é uma consequência da dependência de algo passageiro – já que tudo passa – e não é originado no amor, mas no apego.
- Sim, entendo.
- Ainda é comum que a separação de uma relação supostamente amorosa resulte em sentimentos de raiva ou ódio. Estes sentimentos não vêm do amor, mas do medo. Geralmente medo de algo que nem é consciente e que foi escondido no relacionamento supostamente amoroso. Esse medo leva a diversas formas de dependência e posse.
- Já presenciei separações matrimoniais de alguns amigos e essa parece ter sido a situação mais comum. – retruquei.
- É ainda o mais comum na atual humanidade devido ao atual estágio de consciência da maioria.

Notando coerência e sabedoria nas palavras do Sr. Pilar, aproveitei para lhe indagar uma questão que me pareceu pertinente.

- Senhor, permita-me lhe perguntar uma coisa: como posso saber se devo me aproximar amorosamente de uma pessoa a despeito de sentir paixão ou não? Interesso-me muito em saber isso porque já me apaixonei e depois, com o tempo e o fim da paixão, percebi que não havia sobrado um sentimento maior.
- Caro amigo, em primeiro lugar entenda que o amor sempre existe e, apenas por isso, você o visualizou através da paixão. Lembre-se de que o amor é uma presença universal responsável pela união de tudo. Nas pessoas ele se manifesta como o maior sentimento que elas são, atualmente, capazes de experimentar. Já a paixão, você sabe, não passa de uma porta que se abre para dar passagem ao amor, mesmo ao mais atrasado dos espíritos humanos. Uma porta que abre rapidamente. E fecha, certamente.
- Sim, entendo.
- O verdadeiro amor existe entre todas as pessoas, mas ele não é visível e perceptível em sua situação normal de vida. Pelo menos não nesta fase de seu desenvolvimento. Você já sabe isso, mas a maioria ainda não.
- Mas – continuou o Sr. Pilar – quanto ao seu questionamento, eu lhe diria que você deve prestar atenção, pois existem algumas pessoas que são especialmente próximas e vocês podem até ter uma conexão maior e mais antiga do que supõe.
- Sei disso.
- Então, você deve prestar especial atenção àquelas pessoas que se aproximam de você de forma natural e harmoniosa. Observe se a presença da pessoa enriquece alegremente a sua vida. Diante destas pessoas procure não pensar nem julgar. Simplesmente não espere nada e ouça seu coração. Sinta-o falar! Você sempre sabe se souber se ouvir. Existe uma grande chance de você estar diante de alguém com quem tem uma forte conexão amorosa para que as coisas se manifestem desta maneira.

Silenciou e finalizou.

- Com o tempo você será capaz de identificar claramente estes sinais e reconhecerá as poucas pessoas com as quais você deve se envolver amorosamente compondo um casal na concepção humana. Nunca deixe passar uma oportunidade destas quando ela se apresentar e, mesmo que não se configure o relacionamento de casal, tente não se afastar desta pessoa.

Após respirar profundamente, Sr. Pilar retomou a palavra.

- Não esqueça que todos devem buscar o amor. Sentir e viver o amor pelo Criador, pelo universo, por si próprio e pelos outros. E tenha claro que a paixão ilumina temporariamente os que ainda não vêem, mas cega os outros. Ela não é o objetivo a ser alcançado.

Silenciei e sonhei com um amor leve, terno e verdadeiro. Nos braços de uma brisa morna, flutuei imerso num odor floral. Flutuei até parar entre várias pessoas desconhecidas. Virei-me e ali estava ela. Seu sorriso me fez sentir que a conhecia há eras. Entre todos foi com ela que conversei o tempo todo. Então, absortos que estávamos em nosso encontro, notamos que todos saíam a caminhar. Nos afastamos e os acompanhamos. Eu andava sozinho acompanhando o caminho dos outros quando, no mesmo instante em que senti falta dela,  notei que ela estava ali, novamente a meu lado. Era ela que caminhava comigo no meio de tanta gente. E eu era feliz neste momento, simplesmente pela sua companhia. Num precioso instante da caminhada, inadvertidamente sua mão tocou na minha. Uma forte energia percorreu todo meu ser. E o dela também, pois senti seu abalo. Então, voei para longe. Voei livre e em paz. No momento em que me senti absolutamente completo e equilibrado com todo o universo, ela novamente apareceu. Ela estava ali só pelo amor que nos unia e nos atraiu a voar juntos, pois, como eu, ela também era completa e não mais precisava de outro para simplesmente ser. Voamos cercados por duas mandalas, uma minha, outra dela. Ao mesmo tempo belas e feias, representavam um passado onde estivemos presos, um momento de ruptura e uma posterior libertação. Cada uma desenhada de uma forma, cada uma por um espírito livre. Ali, flutuando entre nossas mandalas, lembramos que nos libertamos de nossas antigas prisões numa mesma época justamente porque nos uníramos e, assim, ficamos fortalecidos pelo nosso amor. Voando livremente pudemos ver que o amor permanecia, pois ele próprio é atemporal. Beijamo-nos profundamente. Nossos lábios moldavam-se naturalmente um ao outro de tal forma que se tornaram um. Nossas mãos se entrelaçaram em todos os corpos. O odor dela, doce e suave, tornou-se um com o meu. Nossos corpos desnudos se uniram e reuniram, fundindo-se num só. Livres, banhados num imenso oceano de amor, voamos juntos. Rodopiando num estado de sublime reunião com o Todo nos amamos e nos penetramos em todos os tempos, todas as dimensões, todas as vidas. Meu doce e suave amor, há quanto tempo esperei por este momento!

Abri os olhos lentamente e percebi que sou livre. E que conheço o amor.

Olhei para o Sr. Pilar e vi que o amava. Novamente eu me sentia como no evento do ônibus. Não havia o pensar e a razão, mas algo acima disso. Eu amava aquele senhor, as pessoas que ali estavam, a árvore cujas folhas balançavam ao vento assim como este que trazia um agradável frescor a nós. Eu amava profundamente o Criador e isso era Tudo!

Então entendi que o Amor divino e universal é muito maior do que o amor humano, cheio de suas próprias intenções e necessidades de compensações. O Amor divino, também presente em nós, é puro e incondicional. Percebi que eu já não tinha muitas perguntas e, quando entendi que a paixão é apenas um recurso para despertar a visão temporária do amor naqueles que ainda estão adormecidos, passei a admirá-la ainda mais, por um lado, e a valorizá-la menos, por outro. Entendi que a paixão, para seres como o Sr. Pilar, é um sentimento superado, pois ele sente, constantemente, algo muito maior do que ela. Algo que provoca sensações bastante mais intensas e profundas. Algo a que chamamos de amor. Com o incremento do desenvolvimento e da consciência, uma pessoa passa a perceber e a viver o Amor divino que está presente na essência de tudo, inclusive na sua.

O Sr. Pilar sumira da mesma forma como aparecera. Isso não me surpreendeu. Com amor me levantei e algumas pessoas olharam simultaneamente para mim com um sorriso estampado em suas faces. Não me surpreendi novamente, sorri para elas e sai. Amamo-nos ali.

Referências (as cores indicam transcrições literais feitas neste texto):

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Para quê comer carne? – parte 2

O comportamento do homem para com os animais é inseparável do comportamento dos homens entre si“. Herbert Spencer

Não convém que o ser humano se alimente com a carne dos animais. Aqui estão algumas das razões.

Destruição do meio ambiente, fome e manutenção da violência.

  1. A produção de centenas de milhões de toneladas anuais de carne para alimentar apenas uma parcela da população gera uma enorme devastação no meio ambiente e, no fim, ainda é uma das maiores – se não a maior -  razões da fome no mundo.
  2. Submetemos bilhões de animais a uma terrível dor e isso tem consequências definitivas não só para eles, mas também para nós mesmos. A lei da atração faz com que pensamentos, sentimentos e ações atraiam seus semelhantes. Desta forma, bilhões de mortes violentas anuais de animais, precedidas de muita tortura, atraem uma enorme quantidade de terríveis problemas para a humanidade e, desta forma, será totalmente impossível vivermos num mundo pacífico, limpo e justo enquanto comermos carne. Estes itens 1 e 2 estão documentados em um vídeo apresentado na primeira parte deste texto.

Desrespeito à natureza e ao propósito de existência do ser humano.

  1. Não somos naturalmente carnívoros, o que nos mostra nosso próprio corpo  biológico. Sendo assim, comer carne por muito tempo leva, inevitavelmente, a problemas de saúde.
  2. Freamos nosso desenvolvimento pessoal e espiritual. Como este desenvolvimento é essencialmente nossa missão e como há um limite a partir do qual é impossível se avançar maltratando, matando e comendo animais, o hábito de comer carne não é uma opção e seu desrespeito não fica impune.

Verificando o que já sabemos

Comecemos por um breve exercício. Responda rapidamente, em até 5 segundos, cada uma destas questões.

  1. Roube uma pessoa. Isso está certo?
  2. Ajude uma pessoa. Isso está certo?
  3. Colha uma fruta de uma árvore. Isso está certo?
  4. Mate um animal. Isso está certo?
  5. Mande matar um animal. Isso está certo?
  6. Mate uma pessoa. Isso está certo?
  7. Mande matar uma pessoa. Isso está certo?

Já temos uma boa sabedoria sobre sobre o certo e o errado. Uma sabedoria que transcende as moralidades culturais. Também é de nosso conhecimento que toda ação gera consequências compatíveis com ela. Sendo assim, se fizermos coisas corretas, criaremos uma situação melhor para todos, e se fizermos coisas erradas, teremos que pagar pelo erro. Cada erro terá que ser pago na sua própria medida. Não há como burlar esta lei universal e quem pensa que um erro pode ser minimizado ou pode ser pago pelos outros é porque ignora o quadro completo.

Considerando isso, vamos agora avaliar nossa alimentação.

Verificando se somos carnívoros

O canibal

Você aprecia comer carne humana? Você mataria uma pessoa, a carnearia e a comeria crua e sem nenhum tempero? Caso afirmativo, você gosta desta carne e é canibal.

E mesmo não tendo que matar e carnear pessoalmente, você ainda comeria esta carne crua e sem nenhum tempero? E se fosse um sofisticado banquete com a carne bem disfarçada entre outras iguarias? E se você não soubesse se tratar de carne humana?

Muito provavelmente, no nível de sensibilidade e desenvolvimento de um carnívoro que se interessa apenas pela carne dos animais, a mera idéia do canibalismo é repugnante e inadmissível. Percebe-se um comportamento muito grosseiro, pesado e maligno no canibal.

O carnívoro

Existe alguma outra carne de que você goste? Você mataria o animal que a provê, o carnearia e o comeria cru e sem nenhum tempero? Caso afirmativo, você gosta desta carne e é carnívoro.

E mesmo não tendo que matar e carnear pessoalmente, você ainda comeria esta carne crua e sem nenhum tempero?

Muito provavelmente, para um vegetariano o carnivorismo é repugnante. Percebe-se um comportamento muito grosseiro e pesado no carnívoro. E também se nota que, mesmo que de forma inconsciente, há uma conotação maligna no hábito alimentar do carnívoro.

O vegetariano

Existe alguma fruta de que você goste? Você a apanharia da árvore que a originou e a comeria crua e sem tempero? Caso afirmativo, você gosta desta fruta e é vegetariano.

Muito provavelmente você é um vegetariano que finge ser carnívoro, já que precisa  disfarçar o sabor da carne de todas as formas possíveis através de nossa rica culinária. Além disso, possivelmente nem tenha condições ou coragem de matar e carnear com suas próprias mãos.  Muito provavelmente também não é canibal e sequer teria coragem de provar a carne humana.

Não somos carnívoros

O seguinte texto foi extraído do livreto “Paz e Amor Bicho” que contém muitas informações sobre o consumo de carne e suas consequências.

Um mundo de energia e as consequências da matança dos animais

A natureza não tem recompensas nem castigos: tem consequências“.

Uma situação conhecida de todos é a de estarmos em um lugar qualquer e, de repente, chega uma pessoa que, mesmo sem nada dizer ou fazer, carrega o ambiente com um peso sensível. Ou com uma alegria que se irradia aos presentes. Sem dúvida, todos conhecem esta situação. O que é isso? Uma mera consequência do fato de que estamos imersos num mundo invisível de pura energia que permeia a tudo e a todos e, além disso, que nós criamos, propagamos e nos influenciamos por esta energia.

Agora imagine e avalie estas situações.

  1. Você tem um animal de estimação. Possivelmente ele lhe traga afeto, afaste a solidão e traga um bom astral a você e a sua casa. Observe a energia positiva que pode existir aqui e as consequências em sua vida.
  2. Alguém maltrata seu animal de estimação diante de você. O que você sente? Imagine a energia que existe aqui e as consequências em sua vida. Imagine também o tempo que demorará até os sentimentos associados a esta situação desaparecerem.
  3. Um bezerro nasce e é afastado imediatamente de sua mãe. Ele é colocado em um local bem apertado onde não possa se movimentar muito para não endurecer sua carne. Uma coleira é colocada neste bebê bovino e ele é mantido sempre no escuro. Um dia ele é morto de forma não exatamente delicada. Todo esse sofrimento do bezerro, da vaca que é sua mãe e das pessoas que fazem isso e, por isso, se brutalizam mais e mais, serve apenas para que algumas pessoas possam “saborear” um baby-beef. Imagine a energia que existe aqui e as consequências nas vidas de todos. Se você pesquisar sobre o que já sabemos a respeito de energia, evolução e espiritualidade, constatará que tal realidade gera problemas bem piores do que provavelmente supunha.
  4. Imagine o item 3 – e variações dele – sendo executado milhões de vezes a cada dia em nosso mundo. Cada energia do item 3 multiplicada milhões de vezes. Diariamente. Onde vai parar esta energia? Lembre-se que, conforme vimos, ela entra em você e define grande parte de sua vida.

É conveniente sabermos o que acontece com cada animal que usamos para satisfazer nossos desejos alimentares e de expressão errônea de poder. Clique aqui para ver como é o processo da morte de cada um deles.

O mundo não físico e o carma

Como o mundo é feito de energia, assim somos nós também. Temos outros corpos além do físico. Os acupunturistas sabem disso há milênios, pois espetam suas agulhas em canais energéticos – chamados meridianos – de nossos corpos. Não são locais físicos, mas energéticos. Temos auras visíveis para muitas pessoas.

Sabendo disso, o que acontece quando morremos. Consideramos como morte o fim das atividades biológicas do corpo físico. Mas, e os outros corpos? O que acontece com eles? Onde ficam ou para onde vão? Sem nos aprofundarmos aqui sobre quais são os corpos e como se dá o processo do pós morte, basta sabermos que algo continua e que este algo não muda só porque o corpo morreu. Além disso, assim como já vimos que sentimentos e energias de outros nos afetam em vida, esse algo que continua também o faz. Interessante, não? Ora, se os animais também possuem alguns dos corpos em comum conosco, esse corpo astral deles subsiste por um tempo, no mínimo. Mas, se ele não muda só porque o corpo morreu, assim como seus sentimentos e experiências de vida, do que estamos falando então? O que aconteceu na vida desse animal que teve a infelicidade de ser visto como alimento pelo ser humano. O que ele sente pelo homem? E quais as consequências deste retorno que recebemos deles em nossas próprias vidas?  Ah, lembre-se de que estamos falando de bilhões de animais torturados e cruelmente sacrificados. Falamos de muita dor emocional e física sendo gerada diariamente e que tem em nós, seres humanos, os culpados.

Annie Besant (1847-1933), na página 39 de seu livro “A Sabedoria Antiga” (veja nas referências abaixo) escreveu: “Os corpos astrais dos animais têm, no plano astral, uma existência independente, embora efêmera, após a morte haver destruído sua contraparte física. Nos países “civilizados” estes corpos astrais animais contribuem muito para aumentar o sentimento geral de hostilidade de que falamos antes, pois o massacre organizado de animais nos matadouros e por esportes lança anualmente no mundo astral milhões e milhões destas criaturas cheias de horror, de terror e de aversão aos seres humanos. … e as correntes geradas por esses derramam influências no mundo astral sobre as raças humanas e animais que os afastam ainda mais e produzem, de um lado, o temor e a desconfiança instintiva, e de outro, o desejo de infligir crueldade“.

No verbete Carma da  Wikipédia, temos que “Carma, na física, é equivalente a lei: ‘Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário’. Neste caso, para toda ação tomada pelo Homem ele pode esperar uma reação. Se praticou o mal então receberá de volta um mal em intensidade equivalente ao mal causado. Se praticou o bem então receberá de volta um bem em intensidade equivalente ao bem causado“.

Uma das consequências que atribuímos para nós pode ser sentida no comportamento humano nas cercanias dos matadouros. Numa interessante publicação do blog de Luísa Mell temos que o autor Upton Sinclair, em seu romance The Jungle (“A Selva”, 1906), constatou estatisticamente que o mundo infernal de um matadouro estimula o comportamento violento também entre os humanos. Leia aqui!

Evolução humana e alimentação

Estamos imersos – e fazemos parte – num universo extremamente organizado. Algo que se vê a todo lado é a evolução. Neste sentido, visualize os seguintes seres e tente imaginá-los atacando, trucidando e devorando qualquer ser vivo que esteja a seu alcance.

  1. Um inseto.
  2. Um macaco.
  3. Um ser humano pré-histórico das cavernas.
  4. Um ser humano residente em uma grade metrópole do século XXI.
  5. Um anjo.

Não pense muito. Apenas conscientize-se sobre o que você já sabe. Ah sim, anjos não existem. Será? Para nosso propósito aqui não importa, pois a imagem de pureza de um ser angelical todos temos.

Isso nos leva a seguinte linha evolutiva humana em relação a sua alimentação e corpo. A princípio, este é apenas um exercício de imaginação. Não é exatamente real, pois consta, em algumas pesquisas espirituais, que nunca fomos carnívoros. Mas, isso é tema para outro texto.

  1. Corpo físico e comportamento rudes. Canibais.
  2. Corpo físico e comportamento rudes. Carnívoros.
  3. Corpo físico e comportamento mais sutil. Carnívoros e vegetarianos.
  4. Corpo físico e comportamento mais sutil ainda. Veganos.
  5. Corpo físico e comportamento mais sutil ainda. Precipitação e síntese alimentar a partir do prana universal.
  6. Corpo não físico (etérico) e comportamento mais sutil ainda. Alimentação direta a partir do prana universal.

Triste realidade da situação atual

  1. Em relação à emissão de gases que provocam o tão falado aquecimento global, segundo o filme que está aqui temos que:
    1. 18% é proveniente da pecuária;
    2. 13% é proveniente dos transportes e indústria.
  2. 2. Desmatamos e plantamos para alimentar animais que, depois, alimentarão com sua carne apenas parte da população mundial. A proporção é de 14:1. Isso quer dizer que plantamos grãos que alimentariam 14.000 pessoas para alimentar animais que, por sua vez, alimentarão apenas 1.000 pessoas. E em termos de proteínas, um boi as consome do reino vegetal, afinal ele é um herbívoro, e nos devolve, em sua carne, apenas 10% desta proteína. Talvez seja por isso que os maiores e mais fortes animais da Terra sejam herbívoros. De nossa parte, só podemos concluir que implementamos plano alimentar bem burro.

Resultado final: fome humana, para sorte de alguns animais.

Referências:

  1. Besant, Annie; “A Sabedoria Antiga – Uma síntese dos ensinamentos teosóficos”; 1998, 16ª edição; Editora Teosófica (edição original de 1898)
  2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Carma
  3. http://pt.scribd.com/doc/2066300/Animais-para-consumo
  4. http://www.luisamellsite.xpg.com.br/estudos-comprovam-que-a-existencia-de-matadouros-aumenta-o-comportamento-violento-na-sociedade.html
  5. http://www.youtube.com/watch?v=dk7LPUHes8U
  6. Livreto “Paz e Amor Bicho”
 Aqui está o  livreto “Paz e Amor Bicho” com muitas informações sobre o consumo de carne e suas consequências. Clique na imagem para abrí-lo!
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Para quê comer carne? – parte 1

Você gosta de um churrasquinho? Picanha? Costela? Ótimo, mas você sabe o que acontece até a carne entrar na sua churrasqueira? E depois disso?

Antes de seguirmos, assista os primeiros 10 minutos do filme “A Carne é Fraca“. As outras 5 partes do filme estão mais abaixo.

Parte 1: (10 min.)

Confesso que nunca soube muito sobre o ciclo completo dos eventos até a carne chegar ao açougue e muito menos de sua extensão. Apenas segui o hábito de devorar animais simplesmente por ele estar arraigado na cultura local. Aceitei-o com pouco discernimento e segui-o como um sonâmbulo. Entretanto, há muitos anos diminuí muito minha dieta carnívora e acabei por me perguntar: por que como carne? Sem reposta a esta pergunta, a não ser o mero hábito ou a crença de que as proteínas só estão na carne (que caiu após breve pesquisa), achei que deveria parar. Neste momento, conheci pessoas que são vegetarianas há mais de dez anos, todas muito fortes, belas e saudáveis. Acaso? Depois, conheci mais vegetarianos, todos fortes e ativos trabalhadores. Há anos. Isso foi o que bastava: parei de comer animais.

E agora? Como me sinto? Posso afirmar, tranquilamente, que me sinto mais forte e disposto. Sim, a carne tira a disposição. Também posso afirmar que as pessoas tendem a considerar o vegetarianismo um hábito bom e saudável, mesmo sem saber porque e sem aderirem a ele. Por que será? Muito provavelmente seja porque todos sabemos o que mais nos convém.

Mas, não me contentei. Resolvi buscar mais informações sobre o tema e descobri que existem razões muito sérias para não comermos carne. Muito sérias mesmo. Por isso, resolvi compartilhar elas com todos. Neste primeiro momento vamos nos deter apenas a algumas informações sobre a produção de 250 milhões de toneladas anuais de carne (sim, esta é a quantidade) para saciar o apetite de parte da população humana e as consequências disso para nosso meio ambiente, para a humanidade e para os animais que entram como produto de consumo. Num texto que deixarei para depois vamos nos aprofundar em questões energéticas e espirituais sobre o tema.

Deixo aqui com todos a primeira parte do filme “A Carne é Fraca“, produzido pelo Instituto Nina Rosa. Eu fortemente recomendo que o assistam todo. Coragem. Assistam até o fim. A questão não é, em absoluto, convencê-los a não comer carne, mas sim informar. Muitas coisas seríssimas estão em jogo aqui, incluindo a preservação de nosso ecossistema e de nós mesmos. Este vídeo está dividido em seis partes e tem um tempo total de 53:50 minutos. No site do Instituto Nina Rosa, cujo endereço está abaixo, você pode comprar este filme em DVD.

Agora prepare um bom sanduíche vegano acompanhado de um suco centrifugado de frutas e … Bom filme!

Referências:

  1. http://www.institutoninarosa.org.br/
  2. http://www.institutoninarosa.org.br/defesa-animal/videos

A Carne é Fraca
Parte 1: (10 min.)

Parte 2: (10 min.)

Parte 3: (10 min.)

Parte 4: (10 min.)

Parte 5: (10 min.)

Parte 6: (3:50 min.)

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Humanidade X Gaia X Humanidade

O grave acidente ocorrido no Japão no dia 11 de março de 2011, quando foi acometido por um tsunami (ref.1) de uns 20 metros, nos trouxe algumas importantes questões a pensar e a nos posicionarmos.

Prepotência

Como pode ser que uma onda possa ter afetado tanto aquela que, há pouco, era a segunda economia do mundo? Será possível que um povo considerado muito desenvolvido e consciente não saiba que o risco de uma tragédia destas é previsível naquela região? Uma cultura milenar que une as sabedorias oriental e ocidental, riquíssima em tecnologia e recursos financeiros, não sabe construir cidades e usinas atômicas seguras contra perigos mais do que conhecidos por eles? E os Estados Unidos, considerada a primeira nação do mundo, não á capaz de deter as consequências de um acidente nuclear numa usina atômica? Então, o que fará esta nação quando acontecer um acidente em alguma de suas mais de 100 usinas nucleares? Se as maiores potências do mundo ficam impotentes diante da natureza, o que dizer das outras?

Parece claro que não temos chance alguma de deter fatos naturais que sejam perigosos para nós. Lutar contra a natureza é inútil. Somos demasiadamente fracos e pouco poderosos para enfrentá-la, apesar de nos considerarmos os super senhores deste mundo. A prepotência anda de mãos dadas com a cegueira. Vivendo na ilusão de sermos semideuses que podem fazer o que querem por aqui, agimos como tolos ao não termos o menor escrúpulo em atacar e depredar a biosfera da qual dependemos e fazemos parte. Precisamos ficar atentos para não nos posicionarmos contra a natureza, mas sim vivermos em comunhão com ela. E atentos em não supor que ela não reaja contra nós. Mesmo fenômenos que julgamos alheios a nossa existência, como os terremotos, podem não ser tão separados de nossas ações quanto pensamos.

Humildade: eis nossa primeira lição. Não somos “os tais”. A segunda é nos posicionarmos de forma mais inteligente quanto à maneira de organizar 7 bilhões de pessoas para viverem num único planeta. A natureza é clara no seu recado: “ou vocês se acertam, ou eu acabo com vocês”. Alguém pensa que há alguma brincadeira aqui? Caso afirmativo, imaginemos uma outra situação baseada numa leve alteração deste acidente no Japão. E se o terremoto fosse exatamente embaixo de Fukushima, a cidade ao norte de Tóquio onde está a usina nuclear afetada pelo tsunami? Neste caso, este fervedor de água nuclear, que diziam ser seguro, iria sucumbir imediatamente e milhões de pessoas seriam contaminadas com radiação. A gigantesca cidade de Tóquio seria comprometida. É isso o que chamam de segurança? E esse, acredite, nem chega a ser um quadro grave.

Nosso comportamento na Terra

Para nosso próprio bem, e para evitar nosso possível fim, é extremamente importante nos conscientizarmos de forma mais adulta a respeito de nossas atitudes. Em primeiro lugar, precisamos entender onde estamos. Só existimos no nosso mundo porque ele nos provê condições para isso através de uma complexíssima e organizadíssima biosfera. Este sistema geológico e biológico é composto de um inimaginável conjunto de coisas inter-relacionadas que fazem o todo funcionar, o que inclui a nós mesmos. Nossas tentativas de criar pequeníssimos sistemas biológicos (ref.2) totalmente fechados e onde podemos sobreviver dentro deles fracassaram desastrosamente. Imagine só um ecossistema do tamanho de um planeta inteiro. Isso deve ser uma obra feita por seres tão mais desenvolvidos do que nós que não há nem parâmetros de avaliação. Ou, como pensam alguns, tal nível de organização sistêmica foi atingido pelo acaso total. Seja como for, como devemos nos portar diante deste sistema do qual dependemos?

Ora, se vivemos e ainda viveremos por aqui – e não estamos nem perto de saber mudar essa situação – parece razoável não prejudicarmos este ambiente para evitar seu mau funcionamento. Não é nada recomendável depredarmos este ambiente. E nem instalarmos nossas moradas e parques industriais em lugares onde a natureza é sabidamente instável. Construir usinas atômicas, dado o seu risco em caso de acidentes, também não é uma boa ideia. Mas, parece que tais conceitos simples fogem do discernimento de nossos governantes. O desrespeito a estas questões estratégicas inevitavelmente afetarão a tudo, especialmente às criaturas vivas mais frágeis, grupo do qual fazemos parte. Mas, parece que isso também nunca esteve seriamente em nossos planos. Com certeza não quando falamos em larga escala.

Conhecer e respeitar nossa casa Terra

Como vimos, a geosfera e a biosfera terrestres são complexos e organizados demais para nossa incipiente ciência racional e nossos poucos conhecimentos adquiridos até o momento. Sendo assim, resta-nos observar onde estamos e procurar não alterar as coisas que nos cercam. Desmatar em larga escala, produzir montanhas de lixo, inclusive plástico, químico e radioativo, criar milhões de animais para o abate, depredando assim o meio ambiente, e mais uma infindável lista de estultices, afetam nosso entorno de forma, sem dúvida, maior do que o que já sabemos. Isso se chama desrespeito e a mudança deste comportamento exige amadurecimento. Infelizmente, grande parcela da humanidade ainda é muito imatura e, entre estes, vários estão no comando.

Vamos ao mais fácil, os conhecimentos básicos. O que sabemos sobre a Terra e como esses fatos podem nos afetar?

A estrutura planetária e seus perigos

Para começar, sabemos que vivemos em sua superfície e esta, a crosta terrestre, não passa de uma finíssima película (média de 30 a 40 km de espessura) que recobre um perigoso e quente mundo que tem 6.300 Km de profundidade (ref.3). Vivemos sobre uma tênue linha que nos separa de um mundo fatal a nós. Toda a terra, montanhas e oceanos não passam disso, uma linha. Nesse sentido, uma ocorrência interna pode infligir graves consequências nessa frágil superfície. As pequenas ilhas que formam o Japão, por exemplo, podem simplesmente sumir do mapa diante de terremotos e maremotos maiores e, ao contrário do que queremos supor, não temos como prever e nem impedir tais eventos. Além disso, pouco ou nada podemos fazer depois de uma catástrofe destas.

Este tsunami que atingiu o Japão, do ponto de vista geológico, não é grande coisa. Catástrofes muito maiores do que esta já aconteceram e irão acontecer. As ilhas de Atlântida, muito maiores do que o Japão, sucumbiram e deixaram poucos vestígios há muito tempo. Os indícios de sua existência, nem sempre reconhecidos, são os sobreviventes que deixaram descendentes entre nossa raça atual, certas formações submersas no Oceano Atlântico, manuscritos descobertos em escavações arqueológicas nos reinos dos Toltecas e dos Maias, entre outros, e em relatos e lendas de diversas culturas mexicanas e indígenas. O próprio Platão referiu-se à civilização que ali habitou, por muito mais tempo do que a nossa atual, no seu tratado Timeu. Crer ou não nisso não importa tanto no momento, mas sim o fato de que, se um cataclismo maior afundar o Japão, daqui a uns 200.000 anos este povo possivelmente também só será lembrado como hoje são os atlantes. Ou nem isso. E 200.000 anos, do ponto de vista de nosso mundo, não é praticamente nada.

Gaia

Outra questão a se considerar é que a Terra – incluindo sua biosfera – é um complexo sistema que pode ser consciente. Este ser já foi chamado de Gaia (ref.4) e assim foi descrito em vários relatos lendários, espirituais e em teorias científicas. Uma coisa é certa: não há como se provar que isso não seja verdade. Deste ponto de vista, qualquer coisa que a ataque pode ser combatida por ela, como acontece nas formas de vida que conhecemos. No momento, com certeza o ser humano ataca a biosfera terrestre. Há quem diga que este organismo a que chamamos de Gaia crie anticorpos que atacam seus invasores. Doenças como a AIDS, por exemplo, são frutos de um vírus criado por Gaia para contra-atacar seus agressores. No caso da AIDS, realmente é de se estranhar atribuir-se esta enfermidade à promiscuidade humana, pois nossa espécie age assim em todo o período de nossa história documentada e, que se saiba, nunca foi descoberta a presença dessa doença em épocas anteriores a nossa.

Existe outro problema que devemos estar trazendo à Gaia e a nós mesmos. Já sabemos, através de pesquisas na área da física, de que nossa mente altera o mundo físico. Este fato já foi cientificamente comprovado e não está mais em discussão. Sendo assim, não é difícil supor que o conjunto das mentes de bilhões de pessoas deva alterar em grandes proporções o mundo físico quando existem pensamentos e sentimentos comuns em todas estas mentes. Desta forma, quais seriam as consequências de tantos pensamentos egoístas, gananciosos e violentos em Gaia? Nenhuma? Poderíamos suscitar em Gaia a criação de fenômenos violentos em consonância com nossos próprios pensamentos? Isso é bem provável. No que você anda pensando ultimamente?

Aqui cabe um livro inteiro que discuta, além das questões anteriores, tudo o que já sabemos sobre biologia, geologia, antropologia, economia, sociologia, política e tudo o que diga respeito a nossa organização e uso dos recursos deste mundo. Acima disso ainda temos o principal, que são as questões da espiritualidade, da nossa razão de vida em termos de evolução, da psicologia humana e da educação. Uma coisa é certa: do nosso entendimento e correto posicionamento sobre os conhecimentos já disponíveis nestas áreas depende nossa subsistência. Nada menos do que isso. Logo, considerando o estado atual de tudo, muito provavelmente não há mais como escaparmos de uma catástrofe de extensões bastante superiores a todos os cataclismos e guerras de que nos lembramos terem acontecido. Quem procura acha.

Novo expurgo humano à vista?

A humanidade caminha para uma situação tão difícil que nos remete a pensar nos tão documentados relatos de extermínios em massa que foram descritos, mais sabidamente em nossa cultura espiritual, sob a forma de dilúvios. Nossas atuais culturas oriental e ocidental, várias das indígenas e das extintas culturas, que nos deixaram relatos descobertos em pesquisas arqueológicas, e relatos provenientes de investigações mediúnicas, estão de comum acordo na descrição de cataclismos anteriores que dividiram a humanidade entre o joio e o trigo (refs.5,6). E, ainda, várias pessoas simplesmente sabem disso. Por quê? Pura coincidência? O que importa saber é que nestes expurgos periódicos nas raças humanas são separados os que não atingiram um certo nível de evolução esperada para um dado período, que retornam para ambientes e povos mais atrasados, dos que conseguiram, que são aprovados para prosseguir num ambiente mais evoluído.

Os sinais positivos

Um dia, quando formos uma civilização de criaturas mais evoluídas, poderemos viver bem, com conforto e tranquilidade e, ainda assim, termos a consciência de qual nossa missão de vida e a capacidade de trabalharmos efetivamente para concretizá-la. Cresceremos pelo nosso esforço, enfrentando nossas dificuldades, mesmo estando confortáveis. Mas, na atual fase, não há como fazer isso com a maioria. O nível atual de desenvolvimento da consciência de quase todos só permite evolução através de sofrimento. Só esse sentimento nos movimenta de forma consistente nesta fase. Nesse sentido, o sofrimento causado por grandes catástrofes, como esta no Japão, costuma proporcionar ao ser humano oportunidades de crescimento. O que temos de melhor vem à tona. E também nossa face mais obscura. Em países habitados por povos mais atrasados vemos várias ocorrências de saques, roubos e outras selvagerias. Mas, mesmo nestes, também boas ações estão presentes. Em países com um povo mais avançado, predominam a solidariedade e a compaixão.

Passo a palavra a alguém que vive em Sendai e publicou suas experiências em (ref.7). Recomendo a leitura de todo este texto.

Tenho a sorte de estar rodeada de amigos que me ajudam muitíssimo … Compartilhamos tudo: água, alimentos, assim como uma calefação auxiliar de “fuel-oil”.
A noite, dormimos todos em um só quarto, jantamos “a luz de velas”, compartilhamos nossas histórias. É muito bonito, muito acolhedor.
Quando se restabelece a água na casa de alguém, este põe um letreiro diante da casa para que os outros possam se beneficiar disso. O que é assombroso é que aqui não há empurrões, nem saques.
Gosto deste sentimento novo, este desaparecimento, descamação do supérfluo, de tudo o que não é essencial. Viver plenamente, intuitivamente, instintivamente, calidamente e sobreviver, não tanto como indivíduo, mas como toda uma comunidade.
A cada dia encontro novos suprimentos e água na soleira da porta! Quem os depositou? Não tenho a menor ideia.
Idosos de chapéu verde passam de casa em casa para comprovar se tudo vai bem. Todo mundo pergunta se você necessita ajuda.

Sonho com o dia em que esta seja a vida corriqueira de todos. Visualizo este mundo e sofro com o que vejo no nosso atual, mas, tanto com a visão de um futuro promissor quanto com o sofrimento pelo atraso deste, encontro razões para me mover em crescimento. O mesmo desejo a você.

Fechamento

Seja como for, existem coisas que absolutamente ninguém pode negar. Ei-las:

  1. estamos aqui na Terra;
  2. somos muita gente e requeremos muitos recursos deste mundo para subsistirmos;
  3. aniquilamos grande parte da biosfera;
  4. um crescente número de destrutivos fenômenos naturais estão nos atingindo;
  5. não temos como prever a ocorrência destes fenômenos;
  6. quando acontecem tais fenômenos, pouco podemos fazer para remediar suas consequências;
  7. não temos a menor chance de suportarmos cataclismos mais graves da natureza e nossa endeusada tecnologia pouco ou nada adianta para nos proteger;
  8. nossas ações e pensamentos atraem consequências compatíveis com eles.

Considerando tudo o que sabemos, através de fatos atuais, históricos e de lendas, parece-me claro que devemos nos comportar melhor. Digamos que não temos a menor chance de continuarmos agindo como estamos e de nos darmos bem. Ou uma coisa ou outra. Por qualquer caminho que seguirmos na observação das consequências de nossos atos e, mesmo na hipótese infantil e simplista de que somos apenas azarados e nunca culpados de nada, podemos ver um presente bastante negro e um futuro desastroso. Então, novamente, recomendo que nos comportemos melhor. Para isso, há que se saber o que significa se comportar melhor. Podemos começar por nos fazer algumas perguntas simples e básicas para as quais toda a criatura consciente e inteligente deve conhecer claramente as respostas no sentido de levar uma vida digna de um ser que já atingiu este patamar de desenvolvimento.

  1. Quais os objetivos da vida humana atual?
  2. Que ações são necessárias para se atingir estes objetivos?

As respostas corretas a estas perguntas dão a direção certa para a humanidade. Na ausência delas, como saber se a caminhada da vida está na direção correta? Como cada um pode saber se poderá ser aprovado na ocorrência de algum expurgo em nossa raça?

Não concebo uma vida no nível da consciência que o ser humano já atingiu (ou deveria ter atingido) sem saber estas respostas. Muito menos sem conhecer estas perguntas. No nível de nossa consciência, este desconhecimento custa e ainda irá custar muito mais caro do que se imagina.

Ainda existe a possibilidade de alguns acharem tudo isso uma bobagem. Ok. Chamam a isso de livre arbítrio. Entretanto, a ignorância não livra ninguém das atuais ocorrências e do mundo que, justo por causa dela, criamos. E nem de prováveis consequências mais custosas a todos que estão por vir.

Referências:

  1. Tsunamis: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tsunami
  2. Biosferas
    1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Biosfera_Ecossistema_Artificial
    2. http://www.blogpaedia.com.br/2009/05/o-fracasso-das-biosferas-artificiais.html
    3. http://super.abril.com.br/superarquivo/1993/conteudo_113555.shtml
  3. O interior da Terra: http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrutura_interna_da_Terra
  4. Gaia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3tese_de_Gaia
  5. Bíblia Sagrada
  6. Livro “Resgate”; Marisa Varela; Missão Orion Editora Ltda.; 1995
  7. http://www.ciranda.net/fsm-dacar-2011/article/japao-a-informacao-que-nao-chega-a
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