Unindo Ciência, Espiritualidade e Universidade – parte 1

Ciência e espiritualidade na universidade? Soa estranho. Há muito que a universidade tem sido um lugar para pesquisar e ensinar com os olhos da ciência, inclusive em áreas humanas. Mesmo em cursos como a de teologia, o foco é de uma visão histórica e social, sem o sentir e o envolver-se realmente com a vivência do fato espiritual. Quanto às questões espirituais, estas ficam à cargo das igrejas e afins. Esse é o arranjo normal, com nenhum ou pouco intercâmbio entre as partes.

Mas, parece que as coisas estão mudando, pois neste mês de junho, em Porto Alegre, aconteceu um seminário sobre Ciência e Espiritualidade na Universidade promovido pelo NIETE (Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). O NIETE reúne professores (muitos deles doutores) e colaboradores de diversas áreas do conhecimento que, juntos, estão pesquisando sobre a própria espiritualidade e acrescentando-a como novo requisito a ser considerado em outras pesquisas. Isso nos permite vislumbrar um futuro no qual o universo, finalmente, será considerado sob uma ótica mais completa e real, de acordo com sua natureza.

O que posso lhes dizer, como participante deste seminário, é que só vi gente séria e trabalhos concretos. E notei que as pessoas envolvidas nestas pesquisas, muitas delas professores das ciências exatas, são bastante entusiasmadas com o tema e, várias vezes, declararam ter amor pelo que fazem. Também vi emoção e alguns derramamentos de lágrimas nas justificativas dos trabalhos. Como profissional de informática que já participou de vários seminários desta área, posso dizer que, nesta última, não costumamos ver demonstrações afetivas e de nada que esteja além dos interesses em novas tecnologias e em negócios.

Questões iniciais.

Por que necessitamos de espiritualidade? A resposta a esta pergunta é tão óbvia quanto o porquê de precisarmos do ar e da água. O simples fato de nos questionarmos sobre a importância do espiritual e do porquê de tal tema ser parte integrante nas pesquisas universitárias já mostra nossa ignorância sobre nós mesmos e o conseqüente desdém com que tratamos algo que é parte nossa.

Por que necessitamos de ciência? Esta pergunta não causará estranheza a ninguém e será facilmente respondida por qualquer um, pois, há séculos, ela tem sido a soberana detentora da verdade e de nossa percepção da realidade. Somos devotos da ciência.

E por que nossa visão científica exclui a espiritualidade? Por que as questões espirituais são tomadas por crendices e só podem ser vivenciadas num contexto religioso? Por que tudo o que se refere a esta parte da realidade é tomada por céticos desinformados como assunto para tolos?

Ciência.

A civilização humana dos últimos séculos tem na ciência um importante cerne de seus valores. Isso acontece há uns 500 anos, quando passamos a moldar nossa percepção da realidade através de uma ótica descrita por alguns filósofos como Francis Bacon (1561-1626), Thomas Hobbes (1588-1679) e René Descartes (1596-1650).

Para Francis Bacon, “Saber é poder”. A importância maior do saber é ser um meio para conquistar (entendendo e modificando) a natureza para nosso melhor viver e não apenas como um fim em si. Mas, para saber, precisamos dispor de um método e Bacon propôs um que consistia em estabelecer os graus da certeza, em determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar, na maior parte dos casos, o labor da mente. Para isto, ele propôs, também através de métodos, uma forma de regular a mente e o intelecto, pois estes tendem a se perder na sua capacidade de observação da realidade por estarem presos em conceitos vãos, idolatrias e nos usos do convívio cotidiano.

Thomas Hobbes também acredita que o conhecimento deve ser adquirido por um raciocínio correto que consiste em partir da natureza e voltar a ela percorrendo um trajeto em que o real é reduzido a elementos simples para que, estes, possam ser usados numa dedução capaz de recompor as realidades completas. Trata-se da divisão da natureza em partes, um conceito tal e qual ainda aplica a ciência moderna.

René Descartes instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado, sendo o ato de duvidar indubitável. Ele é o autor da famosa afirmação “Penso, logo existo” e definiu as bases do método científico a partir de quatro regras básicas:

  • verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada;
  • analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples;
  • sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro;
  • enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.

A ciência e suas conseqüências.

Estes métodos racionais para estudar e melhor usar a natureza foram utilíssimos em sua época e nas seguintes, tendo marcado o início do uso ordenado de nossa razão para desvendarmos os segredos mais íntimos do nosso mundo e criarmos, através de nossa vontade e intelecto, novas condições de vida para nós além do que nos foi oferecido pela natureza.

Dentre as conseqüências deste novo paradigma científico, além da crença de que as partes definem o todo, destaca-se o novo lugar da natureza como uma propriedade e direito nosso. O mundo deixou de ser reverenciado como algo divino e passou a ser visto como um sistema semelhante a uma máquina a ser subjugado e estendido para nosso próprio uso. Francis Bacon começa seu Novum Organum, no primeiro dos inúmeros “Aforismos sobre a Interpretação da Natureza e o Reino do Homem”, com “O Homem, ministro e intérprete da natureza…”.

Com esta nova perspectiva, passamos a crer mais em nós mesmos como sendo meio divinos e auto-suficientes. O antropocentrismo passou a ser a base a partir da qual passamos a julgar o resto do mundo vivo e não vivo. E como passamos a valorizar cada vez mais nosso lado puramente racional, as percepções não racionais da existência, como a nossa espiritualidade, foram colocadas num mesmo lugar comum que passou a ser visto com crescente preconceito em relação ao que passamos a julgar evoluído. Nessa nova cultura, enquanto nossa espiritualidade confundiu-se com as religiões e passou a servir apenas para aliviar nossas tensões e nos dar esperança, a ciência passou a definir a realidade, incluindo nossos processos decisórios, de julgamento e de postura perante à vida.

No lado negro do que fizemos com a ciência destaca-se que nos posicionamos mais como peças de um sistema do que como seres humanos únicos, sensíveis e importantes e, graças ao poder que ela nos deu (e que não foi acompanhado por tanta evolução moral), nós destruímos perigosamente nosso meio ambiente.

A ciência e suas limitações.

Com o tempo, a própria ciência, seguindo seus preceitos cartesianos, mostrou que o todo tem natureza diferente das partes que o compõem. Além disso, esta ciência nos levou a vislumbrar mundos muito além de nossa percepção sensorial. Ela nos mostrou, pela matemática, pela física subatômica, pela astronomia e por diversas outras fontes de estudo e observação, uma natureza multidimensional e interconectada do universo. Ela nos mostrou que nós somos, influímos e criamos a realidade também. Ela os mostrou que os pensamentos são energia criadora e fluem entre nós e o universo ao qual estamos inseridos e do qual fazemos parte. Assim, a própria ciência racionalista nos apresentou um universo de consistência físico-imaterial, demonstrou que nossos cinco sentidos físicos são insuficientes para observar a totalidade do que nos cerca e acabou por superar os próprios paradigmas que a definem. Curioso, não?

Num livro escrito entre os anos 1938 e 1940 chamado “O Fenômeno Humano”, Teilhard de Chardin (1881-1955) já falava de forma objetiva e clara sobre a natureza físico-espiritual do universo e do homem. Segundo ele, a física só será completa quando incluir nela mesma o lado interno, ou espiritual, de tudo o que existe, pois tal é a natureza do universo. Ele chamou a esta necessária próxima física de hiperfísica.

E mais exemplos, estudos e autores não faltam para as mesmas constatações. Fatos!

A desequilibrada vida da humanidade científica no início do século XXI.

Tanto nossa imaturidade quanto a visão de nossa ciência levaram-nos, em nossas diversas sociedades, a não estarmos bem. A filosofia científica racional, que supõe que o todo pode ser dissecado para ser compreendido e dominado, arraigou-se a nós profundamente. Seguimos esse pensamento à risca como uma verdade incontestável até há pouco tempo. A natureza e nossos corpos, por exemplo, passaram a ser tratados como máquinas. E nós nos transformamos em engrenagens de um sistema industrial e econômico em que, se não atendermos bem as suas requisições, poderemos ser friamente substituídos. É claro que nossas mazelas não foram causadas apenas por esta orientação cartesiana, pois há muito mais tempo já temos problemas pessoais e sociais, mas, sem dúvida, esta forma de avaliar a nós e ao mundo acrescentou uma série de problemas psicológicos à população na medida em que afastou a todos de sua essência maior e do contato genuíno com o mundo que nos cerca.

Assim, há décadas, e de forma crescente, as pessoas estão mal. Emocionalmente mal e vendo pouco sentido em suas vidas. A humanidade está bastante enferma e os desequilíbrios, em todas as esferas, beiram o colapso total que, não havendo mudanças, certamente virá.

Por favor, para nosso bem, pense nas seguintes questões:

  • Por que, afinal, tantos suicídios (muitos encobertos por questões de segurança), inclusive de jovens?
    • Se até crianças e adolescentes se matam em uma sociedade, não importa como a avaliemos, o fato é que ela está, inqüestionavelmente, falida.
  • Por que remédios vendem tanto, especialmente anticoncepcionais, antidepressivos e analgésicos?
  • Por que tomamos tanto café, álcool e drogas?
  • Por que tantos morrem de câncer? Afinal, o que ou quem causa o câncer?
    • Na busca pela cura do câncer, por que os racionais médicos e pesquisadores, após tanto tempo e dinheiro gasto, não nos dizem, de uma vez por todas, que eles descobriram, através de seus métodos puramente físicos, a causa desta doença? Se eles não o conseguem fazer, conlui-se que, ou todos são inconcebivelmente incompetentes, ou seus métodos estão errados. Procuram no físico o que não é físico.
  • Por que tantos problemas cardíacos?
  • Por que muitas coisas que servem como válvulas de escape, como a religião, não dão conta do recado e não reequilibram de vez as pessoas?
  • Por que tanta falta de esperança, justo num mundo onde já dispomos de uma tecnologia impressionante para nosso bem-estar, conforto e segurança?
  • Como podemos nos considerar evoluídos num mundo onde um bilhão de pessoas passam fome?

Não tenho dados, mas algo me diz que mais gente se mata hoje do que na idade média, apesar do conforto que a evolução científica trouxe para aqueles que podem se beneficiar dela. Esta opinião se baseia nos dias atuais, onde vemos jovens e crianças em uma país “desenvolvido” e tecnológico como o Japão se suicidarem deliberadamente e mendigos no Brasil não. A pressão externa, o estresse e o vazio existencial custam-nos mais do que a sujeira, as doenças e até mesmo a fome. Não esqueçam disso: vazio existencial. O vazio que esta cultura nos traz por nos encher de coisas e informações sem transformá-las em saber pela falta de algo (espiritual?). O vazio provocado pelos remédios anti-qualquer-coisa-que-nos-falta-ou-nos-incomoda que muitos tomam para suportar algo que já nem sabem mais o que é.

Sei perfeitamente que muitas pessoas parecem estar bem, mas não a maioria. E a sociedade como um todo também está muito doente. Moribunda até. Por que isso? Quem sabe não possamos colaborar em desvendar tão importante mistério?

O futuro da ciência.

A ciência aumentou nossa compreensão racional sobre o universo, incluindo a nós mesmos, e nos permitiu criar coisas que aumentaram nossa capacidade de ação em quase todas as áreas de nossas vidas. Com a ciência criamos um novo mundo para nós. A ciência nos deu poder, mas não podemos culpá-la pelas mazelas que aconteceram com o uso deste poder, pois isso é culpa de nossa imaturidade e conseqüente má intenção.

Sendo assim, o futuro da ciência depende de nós tratarmos de nosso futuro em termos de evolução pessoal. Precisamos amadurecer e nos tornar adultos. Antes disso, precisamos entender melhor o que é realmente ser adulto. Temos pressa, pois a situação já é crítica, já que existem muitas pessoas pouco evoluídas e com bastante poder em suas mãos, justo num mundo onde aqueles que ainda não se tornaram adultos fabricaram armas nucleares suficientes para destruir Júpiter.

Quanto a ciência em si, é necessário estendermos suas premissas cartesianas que se tornaram insuficientes para sustentar a realidade que ela própria nos mostrou. A ciência precisará se unir de alguma forma com o além físico (o espiritual?).

Se evoluirmos, creio que devemos continuar com a ciência. Não a ciência de hoje, mas uma mais efetiva e mais poderosa. Nossa ciência não é tanta para a idolatrarmos como costumamos fazer, mas apenas o início do que ela será. Não devemos nos subestimar, mas nos forçar a ir mais do que jamais fomos até agora. Mas, para isso, a ciência precisará ser mais abrangente, pois a realidade não se sujeita aos métodos cartesianos e hobbesianos. O próprio Francis Bacon, na definição de seus métodos de observação da natureza publicados em 1620 alerta: “A natureza supera em muito, em complexidade, os sentidos e o intelecto” (Novum Organum, livro 1, aforismo X).

Mas, esse acréscimo científico, além de nosso século é… pouco. Sim, pouco, pois a ciência é a parte menor de tudo. Nosso propósito é a evolução. Se cada um de nós não consegue melhorar sua moral, seu discernimento do importante, sua correção de conduta e sua capacidade de amar, então, o que significa o progresso científico?

Próxima parte.
Na segunda e última parte deste texto sobre ciência e espiritualidade abordaremos, é claro, o lado espiritual e a situação humana. Aguarde!! Voltaremos na próxima semana.

Referências:
NIETE: http://www.ufrgs.br/niete/
Francis Bacon: http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Bacon_(filósofo)
René Descartes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Descartes
Pierre Teilhard de Chardin: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teilhard_de_Chardin
Thomas Hobbes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hobbes

Bibliografia:

  • “Novum Organum”; 1620; Francis Bacon
  • “O Fenômeno Humano”; 1938-1940; Teilhard de Chardin; Editora Cultrix; 1ª edição de 1990

12 Respostas para “Unindo Ciência, Espiritualidade e Universidade – parte 1”

  1. Washington Diz:

    Ciência e espiritualidade(o que é isso, afinal?) nunca vão se misturar. A primeira requer comprovação e a segunda, achismo.

    “Por que necessitamos de espiritualidade? A resposta a esta pergunta é tão óbvia quanto o porquê de precisarmos do ar e da água. ”

    Como assim óbvia?? O ar leva oxigênio ao cérebro e células do organismo. A água é essencial para ele também. E essa espiritualidade serve pra quê? Pra que o indivíduo faça oração achando que vai melhorar de vida, vivendo no conformismo porque existe um pai protetor super poderoso?
    Pra que acredite que um fantasma senhor de si existe desde sempre?

    • Luciano Pillar Diz:

      Caro Washington,

      Entendo perfeitamente sua colocação e, inclusive, a considero mais sensata do que a crença em qualquer coisa sem um mínimo de questionamento. Mas, permita-me um breve esclarecimento. Não vamos confundir espiritualidade com religião. Por espiritualidade entendo (e muitos também) uma parte nossa relacionada a quem somos. Falo da mente talvez, ou aquele que somos e que faz o corpo falar e se mover. Você sabe o que é: você é aquele a quem você mesmo chama de “eu”.

      Na próxima semana terá uma segunda parte deste texto que esclarecerá melhor essa questão segundo alguns pesquisadores da própria ciência. Pois é, acontece que os cientistas, usando sua ciência e com seus métodos comprováveis, começaram a enxergar outras coisas.

      Acreditamos que existe o que vemos, não é verdade? Mas, então, não existe a luz? É o que afirmaria um cego da visão.

      Washington, o que você vê quando olha para uma pessoa? A luz que ela reflete, seus olhos captam e seu cérebro interpreta? E o que dizer das afinidades? E da paixão? De onde vem isso?

      “O ar leva oxigênio…”. O que é o oxigênio? De que ele é feito mesmo? O que dizem os físicos sobre isso? O que eles viram em seus aceleradores de partículas?

      E o cérebro, o que é? Porque ele precisa de tanto sangue e consome tanta energia? Para onde vai esta energia? De onde vem?

      Não amigo, não devemos nos conformar. Mas eu acredito que não devemos nos conformar mesmo, ao pé da letra. Não devemos nos deter diante de observações como isso existe porque comprovo e aquilo não porque nunca vi nem pensei no assunto quando estamos diantes dfas perguntas anteriores e de fatos que já se apresentaram inúmeras vezes a todos os que se dedicam, há muito, a pesquisar através, inclusive, da ciência.

      Um abraço.

  2. Considero de suma importância o estudo constante sobre a espiritualidade somente assim, passaremos a crermos na evolução humana, na reforma íntima, onde o entendimento se fará pela responsabilidade que teremos uns com os outros, não valorizando assim o TER… Porém o SER. Creio que todas as curas emanarão destes efeitos.

    • Luciano Pillar Diz:

      Prezado Edvaldo,

      Você e muitos, para nossa sorte, já percebem que precisamos olhar para nós na sua totalidade, o que inclui, é claro, nosso lado espiritual. Isso faz parte de nossa evolução. Esse aspecto da existência nos leva adiante dos animais deste mundo e é uma evidência que a evolução até aqui indica o caminho para seguir adiante.

      Nós não temos nada. Não poderíamos ter feito nossos corpos nem o mundo que existe para abrigá-lo. Não o teremos para sempre nem definiremos até quando disporemos dele. Nós o ganhamos e o perderemos. O que temos é o que somos e o que importa é crescermos e ajudarmos a crescer nossos companheiros de viagem, que são as outras pessoas.

      Nós já temos a perfeição sadia de que precisamos, mas a doença surge pelos desequilíbrios que impomos a nós. A cura depende, como você disse, do efeito de nos acharmos.

      Um abraço.

    • Senhor Edvaldo:
      As suas considerações insertas neste site em 21/Junho/09, mostram que é uma pessoa plenamente consciente sobre as realidades espirituais e físicas da Vida. Estou plenamente de acordo sobre o que disse – Ciência e Espiritualidade têm todas as condições ideais para uma fusão feliz e verdadeira e tudo estará na razão directa do aumento progressivo do SER ! Nós diríamos do DAR ! E o grau da nossa consciência como seres vivos e inteligentes poderá atingir uma abrangência no conhecimento do Universo e de nós próprios smplesmente extraordinária. Deixaremos de ser seres comuns para passarmos a ser “deuses” ! Deuses, plenamente conscientes das nossas responsabilidades como arquitectos iniciados na formação de novos mundos. Bem haja ! Jacinto Alves

  3. Entendo o ser humano como uma balança de peso. De um lado nosso ser físico com todas as nossas necessidades biológicas e outras nem tão necessárias assim que vamos acrescentando e nos sobrecarregando no decorrer da nossa caminhada. Do outro lado nosso ser espiritual, aquele que precisa de recolhimento, meditação, introspecção. E, esse é o grande problema dessa balança, ela está sempre pendendo para o lado físico. Não há equilibrio entre os dois lados. As pessoas se rotulam e são capazes de vender a alma ao diabo para manter o status. A complexidade da questão está em conseguir despertar o mundo para entender que quando você está em harmonia com o universo e com você mesmo, tudo flui de maneira natural. As chamadas doenças da alma só existem em função do desequilíbrio dessa balança. É preciso sim, cuidar da nossa espiritualidade, até mesmo para poder empatizar com o outro.
    Desejo-lhe sabedoria!

    • Luciano Pillar Diz:

      Oi Marilene,

      Agradeço-lhe por me desejar algo tão importante como a sabedoria. Tento ser mais sábio com o passar da vida, mas, cada vez que olho para mim mesmo, não me sinto tão animado. Mas, fico feliz em saber que estou andando e tentando. Isso é o que desejo para todos: tentar e caminhar para frente. A sabedoria vem, com calma, a todos. Amém!

      Pois é, estamos numa sociedade de desequilibrados. O mundo sempre foi cheio de armadilhas para nos segurar perto do nosso passado, o mundo animal. Como os animais, buscamos comida e status. Demos um passo, mas ainda estamos presos nisso. E as armadilhas nos confundem. Nós mesmos criamos muitas delas que nos prendem a ter mais para parecer mais perante os outros. Como os animais. Físico e rudimentar demais para o que já temos dentro de nós, um mundo espiritual.

      No porvir temos a evolução além humana. Um dia teremos ultrapasado o mundo puramente animal e seremos mais evoluídos e maduros espiritualmente. Mas, precisamos caminhar para frente e nos esforçar.

      E por agora? Desequilíbrio. Um monte de pessoas atrasadas governando e muitos presos no físico e nos aspectos de nossa natureza animal. A doença é tanta que se pode até roubar e matar para ter algo que represente status, como um simples carrão de luxo.

      Concordo com você Marilene, no sentido de que precisamos posicionar melhor esta balança que somos nós para que sejamos melhores e possamos nos curar. Nossas doenças da alma não se solucionam com remédios.

      Um abraço.

  4. Washington Diz:

    ““O ar leva oxigênio…”. O que é o oxigênio? De que ele é feito mesmo? O que dizem os físicos sobre isso? O que eles viram em seus aceleradores de partículas?

    E o cérebro, o que é? Porque ele precisa de tanto sangue e consome tanta energia? Para onde vai esta energia? De onde vem?”

    Luciano, vc está entrando no caminho da ciência e não da fé(ou espiritualidade, como queira).

    • Luciano Pillar Diz:

      Sim, eu jamais descartei a ciência. Mas, o que é a ciência? É apenas uma invenção nossa. É um método de observação considerando nossos sentidos e ampliações deste com instrumentos. É uma filosofia que vê e procura entender tudo segundo algo que chamamos de racional.

      Fé é crença. Eu tenho fé na ciência.

      Espiritualidade não é algo antagônico à ciência. A espiritualidade trata da uma parte de várias coisas, e de nós mesmos, que não percebemos imediatamente com nossos cinco sentidos. Não podemos definí-la tão claramente. Muitos cientistas, através de observações usando os próprios métodos científicos, já aceitam que nós residimos e habitamos o cérebro, mas não somos produto dele (não somos criados pelo seu funcionamento). Veremos isso num próximo post. Assim, esta consciência (chamaremos assim) que somos nós não é física e nem vive no coprpo, apenas o utiliza para estar aqui neste mundo onde a energia se configurou de uma forma a que nós, aqui de dentro deste mundo, chamamos de matéria.

      A tendência comum é colocar ciência e espiritualidade como contrários, mas tal enfoque não procede.

      Uma curiosidade: se isso que somos (o que cada um chama de eu) é uma consciência não corpórea, então podemos dizer que a ciência foi criada por espíritos.

  5. Gostámos do seu desenvolvimento sobre o binómio – Ciência e espiritualidade. Temos em organização uma associação sem fins lucrativos denominada: Círculo de Estudos Eclécticos e Acção Cultural Maria de Oliveira, com sede ma Cidade de S. João da Madeira – Portugal.
    Gostaríamos igualmente de contactar com a organização NIETE – Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade. A nossa associação vai dedicar-se ao estudo da composição física, psíquica e espiritual do ser humano – dispomos de um movimento designado por Espiritualismo Racional e Científico da Humanidade, tendo como suporte científico a Ciência do Zoismo – Educação Científica da Vontade. Com as nossas mais fraternais saudações – Jacinto Alves – membro da Comissão Organizadora do Círculo de Estudos Eclécticos e Acção Cultural Maria de Oliveira. – Cidade de S. João da Madeira – norte de Portugal.

    • Luciano Pillar Diz:

      Caro Jacinto,

      Obrigado pela participação. Li seu texto sobre espiritologia no blog Círculo de Estudos Ecléticos e também me pareceu haver grande similaridade nas visões expostas aqui e lá sobre a espiritualidade. Algo me diz que iremos colaborar de alguma forma com o que chamastes de Espiritualismo Racional e Científico (ERC).

      Para os interessados, o texto de Jacinto no Círculo de Estudos Eclécticos e Acção Cultural Maria de Oliveira está aqui:
      http://circulodeestudosecleticos.blogs.sapo.pt/

      Abraço.

  6. Meu Bom Amigo Luciano Pillar:

    Estas andanças em navegar na Internet são novas e surpreendentes para mim ! Descobri que tenho o Universo à minha disposição ! Tenho vindo a verificar que neste BLOGUE , aliás muito bem apresentado e organizado, verifico existir já um grupo de COMANHEIROS (peço desculpa por este meu atrevimento em tratá-los por Companheiros, mas é efectivamente uma designação onde se sente o espírito da solidariedade, tolerância e compreensão). Se todos aqui presentes aceitarem esta proposta, ela poderá vir a prevalecer ! Tenho verificado que o tema central das trocas de opinião aqui feitas, tendem por maioria para a grande questão da Espiritualidade e o seu provável e íntimo relacionamento com a Ciência ! Partimos do princípio teórico de que o Universo é formado por duas componentes: FORÇA e MATÉRIA ! a Força representa a vida inteligente, activa e empreendedora; a Matéria, o elemento passivo sendo plasmado e dominado pela Força Inteligente – diríamos INTELIGÊNCIA UNIVERSAL ! Numa linguagem maçónica poderíamos chamar de Grande Arquitecto do Universo ! É evidente que estes conceitos vão muito além daquilo a que o “Povo” chama de Deus ! Porque estamos perante A Força Criadora que no Universo tudo incita e movimenta e naturalmente fazemos parte dessa Inteligência Universal como suas particulos de energia, de vida inteligente na senda da evolução rumo ao Conhecimento Total até nos confundirmos no seio dessa Força Infinita perdendo a nossa individualidade em benefício do TODO . . .
    O Círculo de Estudos Eclécticos e Acção Culltural Maria de Oliveira, pretende de forma isenta e sempre numa perspectiva científica e espiritualista (esta última isenta de religiosidade e misticismo) estabelecer uma nova orientação sobre as actuais concepções do Universo e do Ser Humano e para isso dispõe de uma doutrina denominanda por Espiritualismo Racional e Científico da Humanidade – ERCH que tem por base uma Ciência designada por ZOISMO – Educação Científica da Vontade – como o Zoismo é considerado uma ciência secreta, substituimos a expressão – ZOISMO, por Neoespiritologia – Ciência que estuda a origem, natureza e fins do Espírito Humano. Existe efectivamente um ramo científico denominado – Espiritologia, mas este termo está demasiado conectado com o Espiritismo, que respeitamos, observamos e analisamos, mas devido ao facto de terem como acção central a utilização do médium – fazendo lembrar as pitonisas no Templo de Delfos na antiga Grécia, o “Povo” agora no Século XXI ainda continuar a ter mesma postura que os Gregos tinham há mais de 3000 anos, os velhos hábitos e maneira de pensar continuam a ser os mesmos como era naqueles recuados tempos ! Afinal todos nós seres humanos além dos cinco sentidos somos portadores de capacidades psíquicas, tais como: a intuição; vidência;audição e de desdobramento astral . . . No Zoismo e através da Educação Científica da Vontade, desenvolvemos a nossa capacidade de autodomínio e passamos a ser atletas da mente, exactamente como qualquer atleta treina o seu corpo, os seus músculos para nadar, correr e saltar, etc, o Zoista treina o cérebro de maneira tranquila e progressiva. Penso que lancei algumas ideias dignas de novas análises e de novas perspectivas sobre a Vida.
    Fraternalmente para todos os . . . Companheiros ! Jacinto Alves

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