Roy Buchanan
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Hoje é o 70º aniversário de Roy Buchanan, talentoso músico norte-americano. Roy nasceu no dia 23 de setembro de 1939 e faleceu em 14 de agosto de 1988. Roy compôs música e tocou guitarra elétrica tendo, inclusive, definido um estilo próprio que foi seguido por vários outros guitarristas.
Para ilustrar o texto que segue, aqui está uma pequena amostra de trechos de músicas do Roy da década de 70.
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Poucas palavras sobre um grande músico. Existem muitas pessoas que tocam música. Muitas que tocam muito bem e estudaram bastante para isso. Até mesmo virtuoses encontramos vários. Mas aqueles músicos que inventam, criam ou simplesmente enxergam a música que toca nos corações das pessoas e que, depois, serão executadas por uma legião de instrumentistas, já são mais raros. Existe um Beethoven, um Pixinguinha, os Beatles e outros artistas com esse algo mais. E vários instrumentistas que tocarão o que eles compuseram. Roy estava no primeiro grupo, apesar de jamais ter ficado famoso entre aqueles que não são músicos. De onde vem esta visão artística?
Um amigo, estudante sobre a espiritualidade e ele próprio já com alguma evolução na área, disse-me que a arte eleva o ser humano e que o leva a transcender suas próprias capacidades. A música, como arte, leva o músico que a percebe a aproximar-se de algo além humano e de Deus. Mas o músico jamais poderá chegar lá, pois está preso no humano. Assim, seu dom é também um grande sofrimento.
Leroy Buchanan foi uma pessoa capaz de expressar muito sentimento através de seus improvisos na guitarra. Ele tocava blues e derivados e era bastante emotivo e, não raro, ia ao descontrole em suas execuções. Ele era exagerado. Muito amor, muita tristeza ou muita raiva era o que saía da sua guitarra. E sempre tocando com maestria. Já o vi tentar um improviso que começou não dando certo, o que lhe provocou muita fúria e, através dela, na marra, ele acabou tocando o que queria, ou o que saiu no momento. E ficou fantástico.
Para finalizar, Roy era o contrário de uma legião de pretendentes a fama que vemos por aí. E de muitos já famosos. Vejo muitos que, por vaidade e na ânsia de serem diferentes, de serem considerados “loucos” e únicos, fantasiam-se das mais variadas formas e tentam-se comportar como indivíduos diferentes da média. Suas composições, quando existem, tendem a ser medíocres e sem significado. Roy tentava ser normal. Vestia-se sempre como um senhor de respeito, inclusive em seus shows, para ser tido como uma pessoa comum. Mas, ao contrário dos anteriores, seu gênio musical não conseguia se esconder. Nem sua “loucura”. Não havia opção para ele.
Roy teve uma vida particular não badalada pelos meios de divulgação de massa. Parece que ele foi uma pessoa que teve dificuldades emocionais e vários problemas com álcool e drogas. E foram estes problemas que o levaram a ser detido pela polícia e assim, na cadeia, morreu no dia 14 de agosto de 1988. Até hoje há controvérsias sobre o que aconteceu. Dizem que foi suicídio.
Não vamos nos deter em sua biografia. Em caso de curiosidade, algumas estão disponíveis na Internet e seus endereços estão aqui no final deste artigo.
Meus mais profundos e sinceros respeitos à Roy Buchanan, que tanta arte nos mostrou e a tantos fez sentir a grandiosidade das emoções que nos fazem humanos. É isso o que fazem aqueles que possuem alguma iluminação e, não raro, pagam seu preço. Vai com Deus Roy!
Aqui estão dois presentinhos a todos, direto do YouTube.
The Messiah Will Come Again.
Hey Joe, de Jimi Hendrix.
Biografias:
- http://whiplash.net/bandas/roybuchanan.html
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Roy_Buchanan
- http://en.wikipedia.org/wiki/Roy_Buchanan
Os álbuns e as músicas no podcast MP3:
- 1971 – Buch And The Snake Stretchers
- Since You’ve Been Gone
- The Messiah Will Come Again
- 1973 – Second Album
- After Hours
- 1973 – That’s What I Am Here For
- Rodney’s Song
- 1975 – Live Stock
- I’m A Ram
- 1976 – A street called straight
- Keep what you got
- My friend Jeff
- 1977 – Loading Zone
- Done Your Daddy Dirty
- 1978 – You’re Not Alone
- Fly…Night Bird
Setembro 25, 2009 às 11:28 am
Na verdade não me lembro de ter ouvido antes, mas sem dúvida é fantástica a sua competência ao vivo e notória a diferença da maioria dos outros guitarristas bem como a força que alguns fazem para copia-lo!
Setembro 25, 2009 às 4:48 pm
Caro Cláudio,
Roy Buchanan realmente nunca teve a fama que merecia. Seria até difícil, pois ele foi um músico que se expressou de forma forte e exagerada demais, o que não é muito compatível com o público em geral. Mas, como você disse, muitos fazem força para copiá-lo. Ser copiado ou ter as músicas tocadas por outros é comum de acontecer com os verdadeiros músicos.
Abraço.
Setembro 25, 2009 às 4:59 pm
Mas é mesmo incrível o que disse Luciano: por vaidade e na ânsia de serem diferentes, de serem considerados “loucos” e únicos, fantasiam-se das mais variadas formas e tentam-se comportar como indivíduos diferentes da média.
É muito palhaço que anda por aí de cabelo laranja, tatuado e de brinquinho. Acham-se vanguarda ou únicos? O que não sabem é que QUALQUER IDIOTA pode comprar essas fantasias. Tem de tudo que é estilo.
Mas, E A MÚSICA??? Só tocam o óbvio, copiando de forma desastrosa os mestres.
Eu não conhecia este Sr. Buchanan, mas fui vê-lo no Youtube. Vi vários vídeos e concordo com Luciano: o cara era um músico mesmo, completamente maluco e que tentava disfarçar o que tinha em mente. Vi cada solo que me fizeram ver um super criativo e doente mental em cena. Tudo o que os palhacinhos queriam. Mas estes babacas nem devem imaginar o preço de ser alguém de verdade!!
Setembro 27, 2009 às 12:35 pm
Eu e a Lulu, vimos juntas, foram duas opiniões diferentes;
eu achei que uma profunda doçura transcendia tudo,
ela disse que tu já havia mostrado prá ela,
perguntei então o que ela gostaria de te dizer, e ela:
“Puta-merda, tio Luciano”.
Concordamos que o som da guitarra transcendia à guitarra,
parecendo um outro instrumento, sopro às vezes, teclado outras.
Foi um lindo presente.