A violência: sua natureza e seu antídoto

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A humanidade é criadora e vítima da violência. A questão é: estamos interessados em acabar com este tipo de manifestação? Se fizermos esta pergunta às pessoas, observaremos que a grande maioria declararia que sim. Apesar disso, vivemos num mundo furioso. Esta diferença entre as declarações da maioria e os fatos suscita algumas questões a pensar.

Para começar, cabe identificarmos as responsabilidades. De quem é a culpa de tanta violência? A primeira e interessante constatação é de que ninguém se julga culpado. Até mesmo os violentos alegam que, se fizeram algum ato desta natureza, foi por alguma razão externa que o justifica. O senso comum atribui a culpa da violência aos bandidos, especialmente os assaltantes e os traficantes.

Mas a realidade está longe de ser tão simples. Vamos estendê-la um pouco. O que podemos dizer dos fabricantes e traficantes lícitos da droga álcool? Consta nas notícias divulgadas que muita violência aconteceu por pessoas estarem embriagadas. E dos governantes que criam e comandam as guerras? E dos fabricantes de armas? Jorge Py Velloso, vice-presidente da Taurus, maior fabricante brasileira de armas, declarou o seguinte em notícia divulgada pela BBC (endereço indicado no fim deste texto): “As exportações da Taurus para os Estados Unidos devem crescer 35% este ano”. Para ele a violência é um negócio e, sem ela, teria que mudar de ramo. Da mesma forma terminaria o ganha pão dos policiais, das forças armadas, dos negócios que existem em torno da segurança, da indústria de dispositivos para segurança, de muitos fabricantes de jogos violentos (a maioria?), de grande parte da indústria cinematográfica e televisiva e de uma infinidade de outros serviços que só existem em função da segurança contra a violência. Uma grande quantidade de pessoas dedica o tempo de suas vidas em torno das consequências da violência. Nossa sociedade seria algo inimaginável, mesmo para um brilhante e criativo escritor de ficção, se não houvesse violência. É tão difícil conceber isso que acho que jamais foi feito de maneira satisfatória. Os próprios países estão no negócio, de corpo e alma. Veja só esta notícia divulgada na BBC: “o Brasil está entre os três maiores fornecedores de pistolas e revólveres para os Estados Unidos, com 25% daquele mercado. Os outros dois são Áustria e Alemanha”. Mais uma: “Apesar da crise financeira internacional, as exportações de armas leves fabricadas no Brasil cresceram 39% no acumulado de janeiro a setembro em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, o Brasil vendeu o equivalente a US$ 236,8 milhões nos primeiros nove meses do ano. No mesmo período, as exportações brasileiras em geral caíram 26%.”. Será assim que vamos criar um mundo mais seguro?

Os negócios com a violência são mais uma garantia de sua continuidade. Não a maior. Nem perto da maior. Todos os negócios do mundo – eu disse todos, de todos os países – são coisa pequena perto da verdadeira razão da violência. Estes negócios são meras consequências da prévia existência da violência. Todos os negócios do mundo não passam de trilhões de dólares, pois os medimos em dinheiro, e essa quantia monetária é pequena, efêmera e pouco poderosa perto da razão da violência, que abordaremos no decorrer do texto. Por agora, para adiantar, pense nisso: “Crianças não brincam com armas e adultos não fabricam armas”.

Cabe pensar se nós iremos, um dia, viver num mundo pacífico. Caso afirmativo, como conseguiremos isso? Antes de tentar elucidar melhor estas questões, vamos observar um exemplo prático ocorrido no Brasil recentemente. Nada melhor do que os fatos.

Uma forte manifestação de violência aconteceu no Rio de Janeiro no dia 17 de outubro,sábado, que deixou cerca de 20 mortos. Alguns ônibus foram incendiados e até um helicóptero da polícia foi derrubado. Os ataques foram atribuídos aos traficantes na zona norte do Rio. Para resolver este problema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez as seguintes afirmações, conforme divulgado pela mídia:

  • É preciso perseguir e encontrar quem praticou esse ato de violência;
  • Tudo que o governador (do Rio de Janeiro) precisar. Estaremos dispostos a fazer todo o sacrifício que for necessário para ver se a gente limpa a sujeira que essa gente impõe ao Brasil no mundo;
  • A cada dia temos a sensação de que é uma causa perdida, mas não vamos desanimar.

Afirmações óbvias para quem se diz contrário à violência e pretende agradar ao povo. Óbvio também é que elas são destituídas de qualquer capacidade de resolução prática do problema da violência e, provavelmente, nem sejam acompanhadas de sincera intenção. Mas parece que nosso bom presidente resolveu também prometer agir além de falar, pois foi divulgado pela mídia que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, disse ter recebido a promessa de um investimento de R$ 100 milhões para a área de segurança pública, que serão desembolsados pelo governo federal. O que todos sabemos é que o desembolso do governo resulta, de fato, em desembolso do povo. E todos sabemos também que esta violência que nosso dinheiro tentará estancar não vai acabar. Isso já aconteceu antes, tanto a causa como o remédio e o resultado. Mas, para alegria de muitos que trabalham no setor da segurança, nosso dinheiro será transferido para seus bolsos.

O presidente Lula poderia, se quisesse e pudesse, aplicar as mesmas palavras ao seu próprio governo. Exatamente as mesmas. Pelo que consta no que tem sido publicamente divulgado há anos por todos os meios de comunicação, o governo está repleto de bandidos que agem impunemente sem o menor constrangimento. Este fato é grave, pois eles roubam o dinheiro de todos nós que pagamos para termos o país administrado e termos a nossa disposição os serviços necessários, incluindo a educação, a saúde e a segurança. Ficamos sem os serviços com a necessária qualidade e ainda somos humilhados pelos bandidos que desfrutam de nosso suado dinheiro, montam um bom patrimônio pessoal e ainda aparecem constantemente impunes na mídia. Uma consequência desta bandidagem é a revolta e a descrença que nasce na população. E, mais grave ainda, isso deseduca pelo exemplo. Os bandidos de colarinho ensinam assim, com seus fartos exemplos, que o crime compensa. Muita violência que vemos por aí resulta do aprendizado e dos valores obtidos através do próprio governo e do mercado, que ensina sobre a obtenção de valor pessoal através das posses e da fama.

E então presidente Lula, o senhor vai “fazer todo o sacrifício que for necessário para ver se a gente limpa a sujeira que essa gente impõe ao Brasil”? O senhor vai “perseguir e encontrar quem praticou esse ato de violência”? E puní-los? E dar o bom exemplo? Todos sabemos que não, pois isso não foi feito nem mesmo dentro de casa.

Até aqui falamos sobre as manifestações da violência e não sobre sua essência. O que é a violência? De onde ela vem?

Pensemos. Os animais predadores transformam-se em assassinos para se alimentarem. Essa é a sua natureza que também vive em nós. Muitos animais também ficam agressivos, e até matam, devido a luta pelo poder em seus bandos. Os chimpanzés chegam a mentir. Sendo assim, quando somos violentos não somos melhores do que os animais. Curioso, não?

Mas os animais são o que são. Seu comportamento pouco ou nada muda com o passar do tempo. Tão pouco parece ser muito grande sua consciência sobre si mesmos e sobre o mundo em que vivem. Mas nós, diferentemente deles, temos uma consciência e uma capacidade de criação de novos comportamentos. Tal capacidade nos leva a mudarmos e evoluirmos com o tempo. É inevitável e não temos opção. Somos conscientes, inteligentes e não podemos fugir disso. Assim, no que se refere à violência, ao contrário dos animais não a usamos apenas para a caça, como qualquer carnívoro, ou para disputas pelo poder, como alguns deles. Nossa superioridade mental também nos permitiu experimentar a perversidade e a incrementar a crueldade. Por outro lado, nossa consciência nos fez ver mais além e almejar uma situação diferente.

Olhe a seu redor. Use de suas lembranças. Pense. Você conhece gente pacífica? Conhece pessoas que jamais fariam o mal a outros, muito menos atos violentos? Conhece gente boa que, deliberadamente, e muitas vezes com sacrifícios em suas próprias vidas, ajudam a muitos e por várias pessoas são muito queridas? Pois é, existem muitas pessoas boas que vivem distantes de atos violentos maiores. E existem muitas pessoas que não vivem mais pela vaidade e pela busca incessante de poder.

O que temos aqui então? Pessoas mais dependentes de comportamentos presentes nos animais e outras mais distantes disso. E qual seria a diferença entre os animais e nós? A evolução.

Observemos um pouco mais. Olhe a natureza. Olhe fotos do universo. Veja a organização das galáxias, a estrutura ordenada dos seres vivos a seu redor e a incrível organização de nossa anatomia. O universo não é um caos. A energia e a matéria que nele existem não ficaram desordenadas resultando numa confusão, mas, muito pelo contrário, ordenaram-se de forma muito além da compreensão e capacidades humana. Nós mesmos somos fruto de tal organização. Nosso corpo é uma criação acima do que poderíamos supor. O que dizer, então, de nosso cérebro. A conclusão óbvia é que o universo é dinâmico e tende a se organizar. Não só tende, mas, de fato, organiza-se. Ele segue leis. Periodicamente existem choques, explosões, reformulações da energia e matéria, mas sempre surgindo daí, como consequência, uma nova estrutura organizada e mais complexa. Da molécula do hidrogênio chegamos às macro-moléculas, às proteínas, ao DNA e à vida. A vida física organiza-se até formar o cérebro humano e este transcende, pela mente, o físico. Tudo isso não é crença religiosa ou mística. É simplesmente uma observação de fatos visíveis por todos nós.

Ora, nossa natureza é a mesma do universo, pois fazemos parte dele. Estamos nele. Somos um produto dele e fomos criados segundo suas leis. Nossa natureza é única e não temos opção alguma de ir contra ela, pois não existe o contra. O mundo não é realmente dual, mas único. E, nesse caminho evolutivo, adquirimos consciência. E ela segue, como tudo, evoluindo e aperfeiçoando-se. E esta consciência é que nos faz sentir mal com a violência. Um animal não sente o mal ou culpa ao matar. Ele mata e come sua vítima. E fim. Mas nós, que estamos um passo adiante na evolução e somos dotados de consciência, não somos assim. Ora, o que nos mostra esta nossa percepção quanto à violência? Responda você mesmo. Pense. Observe. Sinta. Ouça seus sentimentos e verá a resposta. A violência está na contramão da evolução!

Então, se é assim, como combater a violência? Com as afirmações do presidente Lula, de usar de dinheiro para comprar armas, contratar e treinar mais policiais? Nos negócios multibilionários de produção e comercialização de armas? Se alguém é violento, eu ataco a violência agredindo-o e, quem sabe, matando-o? Se eu o agredir eu atacarei a ele e não a violência. Pelo contrário, nesta situação, eu mesmo me transformei em mais um habitáculo para a violência e tornei-me mais um a perpetuá-la. Tornei-me mais um a me afastar (temporariamente) do único rumo evolutivo do universo. Não me afastarei eternamente, pois não há esta opção num caminho único, mas sofrerei muito até ter que aprender e adquirir a consciência necessária para voltar atrás. Só isso. Então, amigos, violência não pode ser combatida com violência. Isso é um contra-senso total. Só podemos pará-la não a praticando. É como disse Jesus e Gandhi.

E no nosso mundo real, o que faremos? E na prática, quais as ações possíveis? Para começar, o que falei É o mundo real. A violência não pode ser atacada diretamente, pois ela é apenas um subproduto da falta de consciência. O que temos que combater é o atraso evolutivo e a ignorância. Se as pessoas evoluírem e amadurecerem, então, naturalmente, a violência cederá. Se as pessoas evoluírem então, um dia, nossos governantes também serão mais evoluídos. Se estamos falando em aumento de consciência, em crescimento e em evolução, é de educação que realmente estamos falando. Logo, para acabar com a violência, precisamos nos educar, no sentido mais completo e humano desta ação e não apenas na aquisição de conhecimento intelectual. A educação envolve não só o aspecto mental e intelectual, mas também o emocional e o espiritual. Precisamos entender e aceitar como é o ser humano e agir de acordo. Entre nossas características está nossa necessidade uns dos outros, de proximidade afetiva e de amor. E as pessoas precisam de exemplos corretos, especialmente as crianças. E, por falar nisso, que exemplos a população tem? E quem os dá a ela?

A população tem recebido muitos exemplos do mercado econômico e do governo que a confunde e a estanca em seu crescimento. O governo brasileiro tem mostrado fartamente ao povo que roubar e ser desonesto é algo aceitável e não punível. O mundo do mercado em que vivemos, onde até a educação e a saúde são tratadas como commodities, usa de uma massacrante mídia comercial que, para vender produtos, cria nas pessoas absurdas ilusões sobre ser alguém importante ou feliz se tiver este ou aquele produto. E esta mídia usa de situações onde a violência também é um elemento que incentiva as vendas ou ela própria é vendida. Neste mercado encontramos até a fé mística como produto, pois abundam entre nós igrejas que, em nome de alguma divindade, são apenas mecanismos de extração de dinheiro das pessoas.

Tudo leva à educação. Educação e exemplos corretos. Para crescer e evoluir há que se educar. E entenda-se que a violência acaba com este crescimento pessoal que nos afasta do mundo animal. Atualmente existem muitas pessoas grandes o suficiente para não precisarem mais da violência, mas, a humanidade como um todo, ainda não atingiu este estágio. Nos países mais desenvolvidos ainda há leis e punição para inibir a violência. Leis que são cumpridas. Esse é um passo intermediário necessário enquanto evoluímos. É como tratamos uma criança em desenvolvimento, proibindo-a de fazer certas coisas até que ela atinja a maturidade suficiente para ser liberada. Enquanto isso: educação, educação e educação.

Por que não investimos seriamente em educação no Brasil? Por que as escolas particulares ficaram tão caras e transformaram-se, antes de mais nada, em negócios com propagandas até nos ônibus que circulam nas cidades? Por que o ensino público, bem pago pelo cidadão em forma de impostos, transformou-se no que estamos vendo? Quem inventou estas regras? Quem se beneficia com elas? Quem ganha com a ignorância e a miséria do povo? Qual o perfil psicológico dos governantes e onde podemos ver os resultados de suas avaliações? Por que um professor, profissional da maior necessidade em qualquer sociedade, ganha tão pouca remuneração financeira enquanto um juiz o suficiente para enriquecer e muitos jogadores de futebol uma indecente fábula?

Não há dúvida de que se quisermos resolver o problema da violência precisamos nos aprofundar mais em entender qual sua natureza e por onde a atacarmos. Suas raízes são mais profundas do que sugere nosso presidente.

Façamos um resumo:

  • A diminuição da violência acontece com a evolução e o desenvolvimento dos indivíduos.
  • A evolução surge com a correta educação e sua prática na vida.
  • A educação depende de corretos exemplos, estudo, amor, vivências e tempo.

E relembremos alguns conceitos:

  • Quanto menos evoluída for uma pessoa, mais próxima ela estará do mundo animal.
  • No mundo animal a violência acontece sem culpas.
  • Os animais não conseguem mudar a si próprios para tornarem-se, através de sua vontade e consciência, diferentes do que são.
  • O ser humano tem consciência e vontade. Ele pode mudar e, de fato, o faz com o passar do tempo. Ele evolui.
  • Muitas pessoas já ultrapassaram a época da violência. Elas já deram um passo para mais longe dos animais.
  • Todas as pessoas estão também trilhando este caminho, pois não há outra opção, mas nem todas encontram-se no mesmo nível de desenvolvimento.
  • Tentar deter a violência com mais violência não funciona. Até podemos prender um bandido, mas ele continuará sendo bandido.
  • Enquanto a toda a humanidade não avançar, continuarão nascendo novos bandidos.

Ou mudamos o caminho rumo ao crescimento pessoal de todos ou continuaremos vivendo como fugitivos de nossa própria violência. Simples assim.

Referências:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091019_lula_rioataquesrg_fp.shtml
Em 19/10/2009
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091019_armasbrasil_fp.shtml
Em 19/10/2009

4 Respostas para “A violência: sua natureza e seu antídoto”

  1. Eddie Van Hendrix Diz:

    A violência é um argumento eficaz. Nós, os “bonzinhos”, não devemos abrir mão desta eficiente método, quando todos os outros falham.

  2. Tonypov Iommi Diz:

    “A única condição para o triunfo do mal é que os homens de bem não façam nada.” (Edmund Burke).

  3. Luciano Pillar Diz:

    Há quem diga que a escuridão e o frio não existem, pois não passam de falta de luz e de calor, respectivamente. Da mesma forma, há quem diga que o mal também não existe, sendo ele apenas a falta do bem.

    O que é o bem? Se for construção, ordem e evolução, então não há o que se possa fazer contra ele, pois o universo está neste caminho. Do nosso ponto de vista, finito e de visão muito rápida de longos processos, percebemos desordem, ou mal, mas ela está, de fato, dentro de um caminho maior de ordem, ou bem. Não há opção. Ora, se é assim, agir deliberadamente de acordo com o universo, única possibilidade, deve nos proporcionar benefícios muito além do que pode perceber nossa curta visão e limitada inteligência.

    Nós mesmos, em nossas crenças e mitos, sabemos disso. Observe que, segundo praticamente todas as nossas lendas, religiões e crenças, os benefícios do bem são profundos e muito duradouros, se não eternos, enquanto os oferecidos pela prática do mal não passam de conquistas efêmeras e superficiais dadas aqui neste mundo, como posses e poder sobre os outrso. Os benefícios oferecidos pelas crenças que pregam a prática do mal não chegam a ser nem migalhas perto da realidade nossa e de nosso universo e, assim, só atraem os muito pouco evoluídos e inconscientes.

    Curioso, não?

    Um abraço aos amigos electric guitarrists.

  4. Eddie Van Hendrix Diz:

    Tua abordagem é correta, sem reparos. Compreendo e endosso a tua opinião.

    Só reitero o q acho inegável: “A violência é um argumento eficaz.”

    E ressalto q, em determinadas situações, uma ação – como reação – violenta é a única, pois última opção.

    Algo como escolher o ruim, para evitar o péssimo.

    De resto, parabéns pela lucidez dos teus textos.

    E um abraço, ao também guitarrista Luciano.

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