Recentemente fiquei muito tentado a assistir uma palestra intitulada “Os Amores Impossíveis”. Mas, quando chegou o dia, desisti. Chega de sofrimento! – pensei. Onde está o verdadeiro amor possível num casal? Onde estão aqueles que o encontraram? Onde estão os que o viveram por muito tempo imersos na realidade cotidiana? Desisti de ver a palestra sobre os amores impossíveis, apesar de saber que ela poderia apontar alguns caminhos. Quero o amor possível!
Mas a vida, cheia de surpresas e misteriosos caminhos, poucos dias antes desta palestra já tinha me colocado de frente com o amor. Foi num sonho. Daqueles bem reais. Eu estive com uma bela mulher sentado em uma mesa de um bar. Nós e o amor. Nós, unos, e o tempo fora de nós, parado. O mundo mudou quando estivemos ali sentados, um diante do outro, olhos nos olhos. Amor real ou imaginário? Possível ou impossível? Ora, foi só um sonho. E dizem que eles não são reais. Será? Seja como for, eles costumam ir embora para não mais voltar e, este, me deixou só e com o coração partido. Mas, muito pior é não amar.
Sonho de amor
Estávamos num bar sentados numa mesa, um diante do outro. Simplesmente juntos, profundamente juntos e felizes. E assim ficamos. Estávamos totalmente conectados através de nossos olhares, que atingiam o fundo de nossas almas. Ligados por linhas invisíveis de energia que nos interpenetravam e nos uniam, éramos completos. Nossas mãos se tocavam. Ao nosso redor, o tempo e o mundo estavam parados. Estávamos noutro nível de consciência e dimensão onde a razão não entra. Estávamos num mundo extremamente sutil, acessível apenas àqueles que se unem em amor. Nada mais, nada menos, como se isso pudesse fazer alguma diferença. Estávamos, antes de mais nada, felizes. Muito, mas muito felizes. E completos. Não precisávamos de mais nada que já não tivéssemos ali mesmo, naquele eterno e inesquecível momento que ficamos juntos. Quando saímos deste lugar notamos que não havia mais ninguém ali. Estivemos tão absortos na nossa união que não percebemos a movimentação do mundo que nos cercava. Depois, também saímos do bar e nos separamos. Veio a tristeza e a dor da solidão tão comum entre aqueles que se amam e se afastam. Mas já estávamos acima disso e sabíamos que somos completos em nós mesmos. Não é mais a ausência do outro, por sentirmos que falta algo em nós mesmos, que nos entristece, mas sim a falta do outro pelo amor que sentimos por ele e pela vontade de estar próximo. Sabíamos ambos, ainda ali naquele mundo onírico, que estaríamos apenas fisicamente longe um do outro. O amor é uma força, uma energia, uma existência independente que perdura e contagia. Amei mais ainda minha querida amada que ali estivera comigo. Hei de encontrá-la novamente. Hei de dar o amor que habita meu coração à ela. Hei de beijá-la e amá-la como ela merece!
Acordei com a lembrança do que vivi naquele sonho. E vivi muito. Antes de levantar, constatei que de nada adianta pensarmos no amor sem sentí-lo. E nem querermos estar com alguém apenas pelos laços históricos, familiares ou porque convém segundo nossos planos racionais se, antes, não acontece a manifestação deste amor. Na forma de uma oração falei com minha amada do sonho antes de me levantar e lhe disse: “Querida, não se preocupe. Eu irei encontrá-la no mundo dos humanos acordados. E não se esqueça: Eu te amo!!”. Levantei da cama feliz.
O Amor divino desce à Terra
O Amor é uma manifestação divina além da compreensão humana. É algo que existe sempre, dentro e fora de nós. De fato, não há lugar, tempo ou dimensão onde ele não esteja. O Amor é uma existência primordial do universo, um tipo de força que dá vida e une a tudo.
Uma vez que trazemos o Amor para nosso mundo humano tetradimensional nós o limitamos. Além disso, nossa mente mortal o molda de acordo com suas próprias intenções e desejos. Já de início, o Amor divino, limitado e remodelado para se tornar o amor humano, passa a ser diferenciado em amor familiar, em amizade, em amor pelo trabalho ou arte e, claro, entre homem e mulher (ou outras variações deste tema). Vamos nos concentrar apenas nessa última forma de amor, de acordo com a palestra e com o sonho que motivaram esta redação, e tentar mostrar o porquê de tanto desencontro e infelicidade a médio e longo prazo. Essa questão rende vários livros, mas vamos nos concentrar no essencial.
A linha divisória entre o amor humano impossível e o possível
Para vivermos um amor possível precisamos saber de algumas coisas. E não apenas conceitualmente.
Somos seres espirituais que também tem uma vida no mundo físico. Sendo assim, o amor depende dos profundos laços que nos conectam espiritualmente ao outro. Não adianta esperar que a pura beleza física, a simpatia, a posição social ou o dinheiro da pessoa que elegemos “amar” sirvam para que esta escolha resulte no verdadeiro amor. O amor não vem das conveniências definidas por nossas limitadas mentes racionais. O amor parte do mundo espiritual. Quando olhei nos olhos daquela mulher com quem me encontrei no mundo dos sonhos eu vi o amor e a conexão. Já vi isso – poucas vezes – no mundo “real” e torço para que você saiba do que estou falando através de sua própria experiência.
O amor, num nível espiritual, permite que vejamos o outro e possamos auxiliá-lo em seu caminho de evolução. E o outro fará o mesmo por nós. É uma união evolutiva. É a lei deste universo em execução.
Saber amar e ser amado é uma condição primordial. Infelizmente, muitos fracassam já neste quesito. Vivemos num mundo repleto de pessoas sequeladas em seu amadurecimento. Almas, mentes e emoções atrofiadas por prolongados erros pessoais e alheios são muito comuns em nosso mundo. Pessoas que não sabem amar e nem serem amadas não conseguem viver um amor verdadeiro.
Ter vida sexual como parte da vida amorosa. O sexo é uma união sagrada entre as pessoas. É uma energia que conecta as pessoas tão sagrada que, através dela, abrem-se as portas para a vinda de outro ser humano ao mundo. O sexo é uma forma de unir que tem uma parte no mundo físico, mas vai muito além disso. E a união é também uma expressão, consequência e natureza do amor. O sexo, então, é parte do amor. Olhar o sexo como uma mera forma de prazer com origem carnal é uma visão extremamente pequena. Tal uso já é possível no reino animal e, se fizermos esse tipo de abordagem em relação aos relacionamentos sexuais, estaremos nos rebaixando a algo inferior ao nível evolutivo humano. Mesmo pensando apenas em prazer, se usarmos o sexo para a união amorosa teremos mais prazer ainda, apesar de, neste caso, nem ser este o objetivo final. Nunca devemos ter o mero prazer como objetivo final. O prazer de uma união amorosa supera em intensidade e duração o tão idolatrado orgasmo.
Outra coisa mais grave ainda que deve ser evitada é o uso da energia sexual para fins de dominação e política. Usar desta energia sagrada apenas visando ascensão social e financeira, ou ainda o mero domínio de pessoas inferiores na escala social, é uma das grandes razões do estado de grande infelicidade e solidão das pessoas desta humanidade. Infelizmente, essa energia também é usada como forma de domínio e definição de hierarquias dentro de casamentos.
(os tipos de sexo: veja aqui)
Saber ver o outro como ele é e não como esperamos ou precisamos que ele seja para suprir nossas necessidades. É muito comum que o outro seja transformado numa muleta usada para suprir as nossas carências. Tendemos a projetar no outro nossa própria visão, carregada com nossas dificuldades, sombras, desejos e culpas. Simplesmente uma transferência que, além de impedir a visão do outro e a possibilidade de ajudá-lo a crescer na sua própria vida, também nos impede de resolvermos nossas mazelas, já que as negamos. Isso não é amor e o fracasso desse tipo de associação é apenas uma questão de tempo. Esse tipo de problema atinge a esmagadora maioria dos casamentos. Trata-se de uma epidemia.
Não desejar o outro. Desejamos algo que queremos “para nós”. A pessoa que amamos não deve ser um desejo nosso, pois ela não está no mundo para nos suprir. Ela é outra pessoa. É completa em si mesma, um espírito independente, em seu próprio caminho. Ela tem sua vida e deve ser amada pelo que ela é. Nào devemos e nem temos o direito de desejá-la para nós pelo que necessitamos. Como é bom amar uma pessoa por ser ela quem é, para vê-la crescer, desabrochar, caminhar, evoluir e ser feliz. Possivelmente ela ficará junto de quem a ama e, assim, não a “perderemos”. Mas, ela poderá ir-se fisicamente e, mesmo assim, devemos querer isso para ela, se esse for o caminho verdadeiro. Isso é amor. Podemos ter realmente um pássaro se o colocamos numa gaiola para nosso deleite? Podemos realmente “ter” alguma coisa? Temos apenas a ilusão de possuir algo. Não temos nem nosso corpo físico, que não foi feito por nós e será inevitavelmente tirado de nós numa data que não será decidida por nós. Nem nossos pensamentos são exatamente nossos.
Não viver em função das expectativas e imposições alheias. O que a família espera que façamos? Somos obrigados a prestar contas aos seus padrões? E a sociedade, o que espera de nós? Devemos simplesmente cumprir os seus preceitos de amor e casamento adequados? Quantas pessoas se casam com alguém apenas porque “investiram” demasiado tempo no relacionamento e não querem desperdiçá-lo? E quantas usam esse critério para manter casamentos que não passam de prisões que as impedem de continuar crescendo na jornada de suas próprias vidas? Em nome de muitas desculpas, mas, de fato, por falta de visão ou coragem, mergulham numa perigosa desventura. No lado oposto, quantos há que se separam e casam novamente inúmeras vezes, como se fosse possível se encontrar vários amores para isso? Precisamos saber se esperamos encontrar em alguém o amor ou apenas alguns requisitos pré-definidos.
Não tentar fazer do amor um fruto de nossos processos puramente mentais. Não sabemos de onde vem o amor entre duas pessoas, mas, certamente, não é do mundo de nossa mente. Precisamos estar atentos e abertos ao que é maior do que nosso mero pensamento. Como exemplo, retomo o meu sonho. Eu e aquela mulher nos olhávamos de uma forma que não pode ser decidida ou simulada mentalmente. O que ali existiu é o que é e não pode ser criado em bases racionais. Aquele tipo de olhar não acontece com qualquer um no dia-a-dia e não pode ser moldado pelas conveniências sociais. Aquele é um olhar entre almas! Uma vez que se encontre uma pessoa assim, através deste caminho, aí sim, podemos investir no resto com a certeza de que estamos no caminho certo.
Saber amar os filhos e estar disponível para eles. Saber vê-los como seres que tem sua própria individualidade e propósito na vida. “Educar é tornar-se dispensável”, alguém disse.
Não se deixar subjugar pelos próprios medos. Os medos são necessários para nos preservarmos em muitas situações perigosas. Entretanto, muitos deles são inconscientes e direcionados para coisas e problemas aos quais não precisaríamos, ainda, estar conectados. Outros tantos nem são nossos, mas de nossas famílias e grupos dos quais participamos. O problema é que eles simplesmente nos paralisam. O mundo do medo não tem fim e devem existir quase tantos medos quanto pessoas. No caso específico de relacionamentos amorosos e casamentos há muitas manifestações de medos. Para citar apenas alguns:
- não se admitir viver sozinho;
- questões econômicas e de status social;
- possibilidade de não se ter filhos;
- incapacidade de se viver sem as muletas fornecidas pelo cônjuge, um medo típico daqueles que não amadurecem e não resolvem seus problemas, mas apenas os amortecem ou escondem;
- sensação de tempo e vida desperdiçados;
- a opinião e julgamento dos outros.
Medos é que não faltam. Será que um amor que nos cause algum medo não deveria ser vivido em vez de imaginado? Não é mais assustador seguir a vida com esta dúvida? Ele poderá ser eterno e poderá resultar em qualquer coisa, como uma família e filhos ou uma vida mais autônoma. Ou poderá ser breve, mas verdadeiro, profundo e libertador. Ele poderá promover muitas curas internas. Como saber sem vivê-lo?
Se o amor é verdadeiro, se veio do plano espiritual, é muito triste não vivê-lo por medo. Com certeza perdemos muito em não deixar acontecer um amor verdadeiro e ganhamos uma eterna e massacrante dúvida sobre como poderia ter sido.
Ser o mais livre possível. Por uma pessoa livre entenda-se aquela que, sabendo razoavelmente bem quem é e qual a razão da existência humana e da sua, é suficientemente experiente e madura para não viver presa a muitos erros e falsas ilusões. Infelizmente, esse nível de consciência não é comum. Quem já atingiu este nível de maturidade já consegue olhar para o outro e vê-lo mais integralmente. E já não precisa de outra pessoa que sirva de muleta para que se sustente, pois já consegue ficar em pé sozinha. Por tudo isso, o verdadeiro amor se expressa de forma mais completa em pessoas livres.
Entretanto, mesmo nas nossas prisões, podemos viver um amor que é verdadeiro até onde nos é possível, pois, com a correta intenção, podemos, mesmo presos, ajudar ao companheiro a caminhar e nos permitir ser ajudado por ele.
Do sonho à realidade
Quando me lembro do sonho daquela noite, só quero que ele venha à realidade. Mas, uma vez aqui neste mundo, não quero escrever nem falar, mas apenas beijá-la com todo o amor que ela merece. Beijá-la de verdade. Beijá-la física, etérica, emocional e mentalmente. Beijá-la com a alma e com o espírito. Beijá-la toda. Tomá-la em meus braços e sentí-la inteira encostada em mim, o calor de nossos corpos passando de um para o outro. Beijá-la como um homem completo deve beijar uma mulher completa. Com Amor. Com muito Amor!
Viver uma vida que tenha um sentido maior e ser feliz requer a sapiência de quem já amadureceu minimamente. Esta é a linha divisora entre o amor impossível e o possível. Sem transpô-la, sobram apenas ajuntamentos e associações econômicas entre as pessoas e sua consequente e certeira infelicidade.









Mais uma vez: ESTOU SEM PALAVRAS!
Simplesmente PER-FEI-TO!
Concordo com TUDO o que está escrito, porque VIVENCIEI e EXPERIMENTEI MUITO do que está descrito aqui, neste EXTRAORDINÁRIO 2011 que está sendo concluído…
Até nem sei mais o que dizer!
Voltarei depois, para RE-LER, e, talvez deixar um comentário mais elaborado! (ou não!)
Forte abraço, meu camarada! …E um “FELIZ 2512″!
Fico feliz por saber que o texto foi útil.
Felizes são os que experimentam o amor.
Um ótimo ano novo para você também. 2512 será bem interessante!!
Um abraço.
PS: quando nosso amigo e leitor deseja um Feliz 2512, ele deve estar fazendo uma referência a um texto publicado aqui
http://trink.wordpress.com/2010/01/08/feliz-2510/
Querido Luciano! Muito, muito bom.
Penso que o amor verdadeiro só pode ser vivenciado por instantes quando nos conectamos amorosamente, harmonicamente com o outro e com o universo. Esse instante divino podemos ter vivido repetidamente com o outro que hoje pensamos não “amar” mais. Se buscarmos na memória esses instantes, veremos como eles são abundantes. Se permitirmos que essa mesma harmonia amorosa universal nos penetre podemos senti-la novamente com esse mesmo outro que não “amamos” mais. “Amar por amar” como alguém me disse um dia. Beijos.
Querida, realmente devemos lembrar dos instantes de expressão de amor e de qualquer elevação que tenhamos na vida. Quanto mais lembrarmos do que sentimos e vimos nestes instantes mais os mantemos vivos e nos colocamos em condições de vivenciá-los novamente pois, como tudo, eles estão sempre presentes.
Sabe, acho essa história de não amar mais meio estranha. O amor acaba? Se acaba, era amor antes? Beijo.
Oi Luciano!
Sensacional o artigo.
Iniciar o ano falando de amor, encontrando as razões que o compõe, fazendo este ser o primordial
destaque em todas as vidas aqui existentes. Creio ser esta a base necessária para todos os viventes, sem a base do amor nada se justifica…
Mili
Oi Mili!
Obrigado pela participação e um Feliz 2012 com Muito Amor!!!
É verdade, o amor é a base necessária a todos, pois, sem ele, tudo parece ficar sem sentido.
Um abraço Mili